Propaganda institucional interfere na mídia dos EUA

A propaganda institucional ganha força nos Estados Unidos pós-atentados terroristas. Órgãos oficiais como o Departamento de Estado, o Exército e a prefeitura de Nova York lançam campanhas que apostam em linguagem poucoconvencional para os padrões governamentais. Nos anúncios chapa-branca vale glamourizar as escolas militares com uma estética que faz referências a programas tipo No Limite e usar imagens cinematográficas e celebridades para promover o slogan I Love New York.A onda de propagandas exibidas depois dos dias de cobertura ininterrupta que seguiram os atentados terroristas passou por dois momentos diferentes. A primeira leva tinha pedidos de ajuda para a Cruz Vermelha, em produções feitas às pressas com convidados como Jon Bon Jovi. Também apareceram as mensagens de cada canal, com imagens em câmera lenta e mensagens nacionalistas.Em seguida, surgiram as propagandas elaboradas e superproduzidas das grandes empresas americanas, em especial dos setores que se beneficiaram da tragédia, como as companhias de seguros e de telefonia. As campanhas oficiais também seguem a tendência das superproduções. O Exército americano, que há alguns anos vem rejuvenescendo sua imagem, já estava a anos-luz dos filmes desbotados e acompanhados de marchinhas militares feitos pelo Exército brasileiro. Há poucos dias, começou a ser veiculada uma nova série de anúncios, que tenta provar que as aventuras nas escolas militares são muito mais excitantes do que as dos programas de "TV verdade". A campanha é baseada em uma série de vídeos exibidos no web site goarmy.com, que são divulgados com chamadas na TV e pop ups com animações em web sites como o da MTV. Com linguagem e edição modernas, as propagandas têm frases de efeito como: "Você tem o prazer de estar se juntando ao melhor exército do mundo!" A Aeronáutica também lançou uma nova propaganda com imagens deação dignas de um thriller de Hollywood, incluindo uma trilha sonora de cenas de aventura. Sem nenhuma mensagem explícita, o anúncio termina apenas com a frase "Freedom Forever" ("liberdade para sempre").Para a campanha nacional de promoção do turismo em Nova York, um anúncio com imagens supercoloridas e participação de nomes como o ator Ben Stiller e o apresentador de talk-show Regis Filbin transforma a cidade inteira em uma espécie de musical da Broadway, misturada com set de filme de Hollywood. Em cenas com direção de fotografia perfeita, as ruas de Manhattan aparecem mais atraentes do que nunca, transformando-se em cenário para a aparição apoteótica do governador George Pataki e do prefeito Rudolph Giuliani, juntos, dizendo "Eu amo Nova York!". Vale reforçar que os dois têm grande talento para as câmeras.Mas a peça promocional mais impressionante do período pós-tragédia é um minisite do Departamento de Estado, acessado por meio de um banner na home page de jornais como o New York Post. Em meio a inúmeros pedidos de ajuda para as famílias das vítimas dos atentados terroristas, a campanha destaca-se ao pedir colaborações para a "luta contra o terrorismo". Mensagens patrióticas misturam-se a fatos e informações sobre o crescimento do problema nos Estados Unidos, em tom de infomercial. Ilustrada com imagens das torres gêmeas em chamas e de bombeiros cobertos de detritos, a página oferece a chance de o público doar US$ 25, US$ 50 ou US$ 100 para o governo aplicar na guerra contra o terrorismo.

Agencia Estado,

12 de outubro de 2001 | 18h47

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