Projeto segue modelo criado na Venezuela

"Não é qualquer um que eu deixo encostar nesses meninos não", diz Ricardo Castro, a fisionomia séria. "Só trabalha com eles quem entende a humildade necessária ao processo de ensinar. Estamos aqui para aprender juntos, acreditando de verdade que o importante é a troca."

, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

No começo dos anos 2000, Castro esteve na Venezuela, onde há quase quatro décadas um projeto educacional espalha pelo país mais de cem orquestras que já formaram dezenas de milhares de músicos. O Sistema, como é chamado, foi criado pelo advogado e músico José de Abreu e, nos últimos anos, virou febre internacional: a Orquestra Simon Bolívar já rodou o mundo todo e seu diretor, o maestro venezuelano Gustavo Dudamel, de 29 anos, tornou-se em 2009 diretor da Filarmônica de Los Angeles após ser apadrinhado por gigantes da regência como Claudio Abbado e Daniel Barenboim.

Em 2007, quando foi convidado para assumir o Teatro Castro Alves e a Sinfônica da Bahia, o pianista e maestro baiano sugeriu a implementação de projeto semelhante no Estado - e, com apoio do governo, que banca o orçamento de RS 2,7 milhões do Neojibá, começou o trabalho. A caminhada em direção ao interior do estado ainda não começou. Mas os resultados já aparecem - no ano passado, a Sinfônica 2 de Julho foi convidada para apresentações fora da Bahia, inclusive no Festival de Campos do Jordão.

"Conversei muito com o Abreu e procuramos manter aqui fielmente a metodologia do Sistema", diz Castro. "Logo no início, mal havíamos formado a orquestra, um maestro venezuelano esteve aqui e ficamos bobos: em 15 dias, montou um programa com músicos que nunca haviam tocado numa sinfônica. Isso nos deu a certeza de que estávamos no caminho certo."

Durante o ensaio, Castro insiste que os músicos ouçam uns aos outros e toquem sempre em conjunto. A metodologia do Sistema, explica, consiste na união de artistas de origem e formação diferentes em torno da interpretação musical. "Não há espaço para arrogância, entre eles e entre os professores. Se um músico de 25 anos pode ajudar um de 15, também é verdade que um de 10 pode ter algo importante a ensinar para um moleque de 5. O professor não é o mais importante, apenas teve mais tempo e oportunidade de se preparar."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.