Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Projeto para premiar novas ideias para séries e programas nacionais divide roteiristas

Críticos da iniciativa reclamam de finalistas não serem estreantes e até já trabalharem no setor

Flavia Guerra , O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2013 | 19h48

Um concurso inédito, que tem como objetivo mapear novas ideias para séries e programas brasileiros para a TV por assinatura. Além disso, que faz um levantamento dos novos talentos do roteiro nacional – ponto nevrálgico da produção audiovisual e área que sempre recebe críticas quando o assunto é profissionalizar o setor e cumprir a cota para conteúdo nacional que se abriu na TV a cabo com o surgimento da Lei da TV Paga, que prevê que parte do conteúdo exibido pelas TVs por assinatura tem de ser produção nacional.

Uma iniciativa como esta é algo que, a priori, tem potencial para se tornar motivo de comemoração em um mercado em que se investe pouco ou quase nada no estágio inicial dos projetos, o da elaboração de roteiros, argumentos e pesquisa. No entanto, logo após os criadores do NETLabTV terem divulgado na segunda seus 30 finalistas, entre mais de 1,8 mil inscrições recebidas de todo o País, o que se provocou foi polêmica.

Pouco tempo após a publicação do resultado na página oficial do NETLabTV no Facebook, teve início uma série de reclamações públicas sobre o fato de os finalistas não serem estreantes e de alguns já trabalharem no setor, como em emissoras de TV e produtoras. Até mesmo um abaixo-assinado pedindo a mudança nas regras foi organizado. “O regulamento é claro. É aberto a qualquer pessoa física. E não está ali estabelecido nem cota para estreantes e nem cota regional. Abrimos para todos e pedimos que se categorizassem. É óbvio que, entre quase 2 mil inscritos, houve estreantes e houve quem tivesse mais experiência”, comentou Jasmin Pinho, da Casa Redonda Cultural, empresa parceira da NET na realização do NETLabTV. “O que é exatamente um estreante? É quem já atua na área, mas nunca foi autor de série ou alguém que nunca escreveu nada?”, completou Minon Pinho, sócia de Jasmin.

“Esse assunto foi muito discutido quando formatamos o projeto e o regulamento. Se fôssemos restringir o concurso a estreantes, seria muito difícil definir o que significa essa categoria. Além disso, considerando que nenhum medalhão vai participar de um projeto como este, até porque o valor do prêmio (de R$ 8 mil para não ficção e R$ 15 mil para ficção) não vai fazer nenhum profissional com agenda cheia comprometer uma semana de seu tempo para concorrer com mais de 1,8 mil pessoas. Por isso, montamos um projeto em que o maior prêmio fosse a visibilidade e o próprio processo de treinamento e doctoring tutoria)que montamos”, completou o diretor.

Jasmin completou que, mesmo com o regulamento aberto, metade dos projetos foram de estreantes e não descartou a possibilidade de instituir uma categoria volta a eles na próxima edição do concurso. “Tudo, do regulamento ao resultado, é aberto e claro. Todos os projetos foram lidos por pelo menos dois avaliadores na pré-seleção. Os cerca de cem melhores foram lidos pela comissão julgadora (formada por Carla Ponte, Philippe Barcinski, Luca Paiva Mello, Matias Mariani E Roberto Moreira)”, comentou ela. “Estimávamos de 300 a 500 inscrições. Vieram 1,8 mil. Temos muito o que crescer e aprimorar.”

Por ora, os 30 finalistas (15 de ficção e 15 de não ficção) podem ser conferidos no site do projeto (netlabtv.com.br). Desses, oito vencedores serão conhecidos no fim deste mês. “Quem vencer vai participar de laboratório de imersão em novembro, no Museu da Imagem e do Som (MIS). No dia 11, haverá um seminário sobre desenvolvimento de séries aberto ao público, além de uma masterclass com Elizabeth Devine, uma das criadoras do CSI, oferecida pela Sony”, explicou Jasmin.

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