Projeto Guri muda rumo da vida com música

Numa das apresentações da orquestra de jovens do Projeto Guri, no Festival de Inverno de Campos do Jordão, o apresentador do evento teve de controlar-se para não chorar depois do concerto. Desde 1995, quando o projeto foi criado, a história se repetiu outras vezes, com outros personagens. Foi essa capacidade de emocionar e sensibilizar as pessoas que transformou o Guri num dos trabalhos sociais mais bem-sucedidos do Estado de São Paulo.No início, o único pólo do projeto, a oficina cultural Amácio Mazzaropi, no Brás, abrigava apenas 120 crianças. No momento em que entravam no local, poderiam deixar para trás uma vida sem perspectivas e ingressar no universo da música. No projeto, o jovem escolhe um instrumento musical e recebe orientação prática e teórica. A coordenadora-geral e uma das fundadoras do Guri, Elizabeth Parro, costuma dizer que, ao chegar num dos pólos do projeto, a criança descobre dentro de si duas coisas que não conhecia até então: dignidade e auto-estima.Hoje, o Projeto Guri atua em 26 pólos em todo o Estado e beneficia aproximadamente 7 mil crianças e adolescentes dos 8 aos 18 anos. Eles são orientados por cerca de 120 funcionários - que trabalham em regime voluntário -, entre eles professores de música, pedadogas, psicólogos, coreógrafos e profissionais de outros setores da cultura.O primeiro passo da criança ao chegar ao Projeto Guri é conhecer os instrumentos musicais, de corda ou sopro, até decidir-se por um. Depois, realizam duas aulas em grupo por semana, nas quais aprendem técnicas musicais e a leitura de partituras. Dificilmente elas desistem. Até porque ali pode estar uma oportunidade única de mudar o rumo de suas vidas.Não é difícil encontrar num dos pólos do Guri um menino ou menina que tenha decidido levar a música a sério - é bom ressaltar que o projeto não se destina a formar músicos. Os que se destacam são, sempre que possível, enviados para conservatórios musicais como o de Tatuí ou para a Escola Municipal de Música.Entre as conquistas do Guri estão a criação de um pólo numa das unidades da Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem) e no Pontal do Paranapanema. Hoje, um dos maiores e mais ativos pólos do projeto é exatamente o do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que reúne mais de 500 crianças.O Projeto Guri é a prova concreta de que corrigir - ou amenizar - as mazelas da sociedade é possível. Basta para isso vontade de mudar. É um exemplo para ser seguido.

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