Projeto favorece atores negros

Aprovado na quarta-feira pela pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, o projeto que estabelece reserva de mercado para atores negros está dividindo a classe artística. De acordo com a proposta do deputado Paulo Paim (PT/RS), que ainda deve ser votada em plenário, 25% dos atores de peças de teatro, filmes e programas de tevê devem ser negros ou mulatos. Nas propagandas exibidas no cinema e na televisão, o percentual sobe para 40%. "Isso é prova da segregação e do preconceito existente no Brasil. Não precisa dizer mais nada, não é?", limita-se a observar a atriz Chica Xavier.Isabel Fillardis aponta os prós e os contras do projeto. "Seria muito melhor se tudo isso pudesse acontecer naturalmente. É triste a necessidade de ter uma lei para assegurar trabalho aos artistas negros. Mas, por outro lado, é positivo, pois os novos talentos podem ser descobertos."Thaís Araújo, que interpretará a prostituta Selminha Aluada na novela global Porto dos Milagres, concorda com Isabel Fillardis. "Esse projeto é a maior prova de que o preconceito ainda existe, mas é importante para nós, atores", comenta. Thaís conta que uma decepção em sua infância e adolescência foi a falta de referências negras na televisão. "Meu sonho era ser a Xuxa, que é loura, de olhos azuis e maravilhosa. Não havia uma apresentadora negra em quem eu pudesse me espelhar. Pode não parecer, mas isso é muito importante para uma criança, que deve crescer sentindo orgulho da sua raça, com referências positivas nos meios de comunicação", enfatiza.Para o ator Antônio Pompeu, é necessário avaliar se determinado tipo físico se encaixa no contexto da peça, da novela ou do filme a ser realizado. "Fica sem sentido colocar um ator negro num elenco apenas porque a lei deve ser cumprida. Ele tem que ter função na história".

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