Projeto estimula empresas a restaurar monumentos

Hoje, coincidindo com as comemorações dos 90 anos do Teatro Municipal, a população que transita pelo centro de São Paulo vai poder ver o final da restauração do Monumento a Carlos Gomes. A obra está localizada na praça Ramos de Azevedo e é formada por 12 estátuas de mármore, bronze e granito, além de uma fonte. Por causa do racionamento de energia, geradores vão reforçar a iluminação do local durante todo dia e permitir o funcionamento do chafariz Fonte dos Desejos, desativado há anos.Criadas pelo escultor italiano Luigi Brizzolara no início do século passado, as obras foram recuperadas graças à parceria das Indústrias Klabin com o Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) no programa Adote uma Obra Artística. No projeto, empresas privadas se responsabilizam por algum tempo pela recuperação e manutenção de monumentos da cidade.No caso da Klabin, os empresários se comprometem a cuidar do Monumento a Carlos Gomes durante os próximos dois anos. "A empresa fica ao lado da praça Ramos de Azevedo. Por causa da nossa localização, achamos um dever ajudar a colaborar com a recuperação de obras tão belas", afirma Frederico Teixeira de Simas, gerente de Controladoria da empresa.O DPH cataloga cerca de 400 obras de arte entre bustos e esculturas localizadas em espaços públicos da cidade. Entre as criações artísticas, várias são de autores renomados, como o Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, a estátua Diálogo, de Franz Weissman, na praça da Sé, e as obras Nuvem e Progresso, também na Sé, de Amilcar de Castro. No total, aproximadamente metade está no centro de São Paulo e a maioria quase absoluta encontra-se depredada. Água e detergente - "Temos de contar com a parceria de empresas, pois o DPH em duas décadas de funcionamento nunca recebeu verba para reparar ou mesmo manter as obras", diz Rafaela Calil Bernardes, chefe do Laboratório de Restauração do departamento.Segundo ela, o dinheiro recebido da prefeitura atualmente só permite uma limpeza superficial dos monumentos com água e detergente, graças a parcerias com empresas de limpeza municipal.Idealizado em 1994 e em vigor desde o ano passado, o projeto Adote uma Escultura é a solução apontada pelo DPH. O programa até agora só conta com o apoio de cinco empresas para manter e restaurar 16 monumentos da cidade.Além da Klabin, a Varig recupera a estátua 14 Bis, na praça Campo de Bagatelle, a Rádio Bandeirantes se responsabiliza pelo Vale do Anhangabaú, a Companhia de Restauração pelo monumento em homenagem aos 80 anos de imigração japonesa e o escritório de advocacia Leite, Tosto e Barros cuida das obras em frente à Faculdade de Direito no Largo São Francisco."No ano passado, quando começamos os trabalhos, o Parlatório era um verdadeiro banheiro público", lembra José Alcides Filho, sócio do escritório de advocacia. Após seis meses, as obras foram inteiramente recuperadas."Hoje gastamos aproximadamente R$ 1.500 na manutenção das seis esculturas em frente à faculdade. A população que antes até depredava, hoje é uma grande aliada na conservação", diz Alcides.Uma das prioridades do DPH é restaurar o Largo da Memória, hoje em situação crítica. O lugar abriga um monumento construído com os primeiros azulejos fabricados no Brasil no final do século XIX. Cada peça tem um desenho que retrata o cotidiano de São Paulo daquela época. "A solução para manter a memória artística da cidade concentra-se em esforços em três frentes: prefeitura, empresas e população", acredita a chefe do laboratório de restauração do DPH.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2001 | 12h10

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