Projeto ensina primeiros passos para fazer filmes em Batatais

Oito curtas feitos pela comunidade local serão exibidos hoje e avaliados pelo cineasta José Mojica Marins

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2007 | 05h08

O projeto Meu Primeiro Filme, desenvolvido entre março e julho, em Batatais, na região de Ribeirão Preto, envolveu cerca de 40 pessoas, entre jovens e adultos da comunidade local, que aprenderam os primeiros passos para fazer cinema. Oito curtas-metragens, com menos de dez minutos cada um, foram produzidos e finalizados no formado digital nesse período. ''''Podemos fazer cinema no interior e de forma barata'''', diz o diretor José Adalto Cardoso (que já trabalhou com Amacio Mazzaropi), que coordenou o projeto. Hoje, os oito filmes serão exibidos na 1ª Mostra do Cinema Batataense, com o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão, entregando os certificados, analisando as produções e respondendo às perguntas dos alunos da oficina.Os alunos aprenderam desde a concepção do roteiro, passando por preparação de atores, filmagens e edição. ''''Foi pouca teoria e mais prática'''', diz Cardoso, que conseguiu que a prefeitura de Batatais investisse cerca de R$ 10 mil no projeto, cedendo uma câmera VHS e um computador não-linear para a edição. A projeção dos filmes será em DVD, que terá cópias disponibilizadas em todas as locadoras da cidade para empréstimo (não aluguel). ''''Queremos mostrar o que produzimos a todos'''', avisa Cardoso, que fez o convite a Mojica para participar da projeção de estréia, pois foi com o cineasta que ele iniciou a carreira na década de 1960.''''Faço isso desde os anos 1970 e não é novidade para mim, mas quero que isso se expanda para outras cidades, pois é muito bom para a cultura e para quem gosta do cinemão'''', comenta Mojica, que não estará na pele de seu personagem Zé do Caixão na mostra de Batatais. ''''Vou julgar os trabalhos, fazer a minha crítica construtiva e dar o caminho, além de esperar ser surpreendido com as histórias'''', emenda o cineasta.Entre os jovens pretendentes a cineasta está Guilhermo Sganzerla, de 19 anos, filho de um primo distante de Rogério Sganzerla, que dirigiu O Bandido da Luz Vermelha. ''''Sempre gostei de filmes e me interesso pelo audiovisual, e começaram a associar o meu sobrenome, mas não tenho nenhuma pretensão de ser como o Sganzerla'''', diz Guilhermo, que dirigiu dois curtas: Visita Íntima e Rua Fissura Ôntica (esse trabalhando com imagens e luzes). ''''Tive liberdade para fazer o que queria e pude conhecer pessoas que se interessam por cinema na cidade'''', acrescenta ele. Cardoso revela que Guilhermo gosta de filmes experimentais.A atriz Maria Carolina Viccari, de 25 anos, também dirigiu dois filmes, um de ficção (Efeito Bumerangue) e um documentário sobre a valorização da memória do idoso (Recordar É Viver), e vai aproveitar o aprendizado para defender tese de mestrado em cinema na Unicamp.Formada em artes cênicas, já tinha noção de seqüência, de câmera, mas faltava a prática. ''''A experiência maior foi dirigir, fazer todo o processo'''', diz ela, considerando o dia mais complicado e cansativo o de gravação. ''''É muito trabalho para sair uma história em apenas sete minutos'''', comenta Maria Carolina, que gostou da iniciativa de Cardoso. ''''Nunca houve nada parecido em Batatais e tivemos um espaço para colocar nosso lado criativo em prática'''', destaca ela.O músico e professor de informática Leonardo Medeiros, de 25 anos, dirigiu e atuou em Garoto Linha Dura, baseado em conto de Stanislaw Ponte Preta, o único curta que seguiu a idéia original do projeto - os demais partiram para idéias próprias. ''''Gostei demais, foi fantástico e esse primeiro contato prático abriu mais possibilidades'''', afirma Medeiros, que pensa em continuar produzindo e participar de festivais de cinema. Os outros três curtas produzidos em Batatais são Verdadeiro Amigo, Reefdom e O Aniversário de D. Pedro. ''''São histórias legais e respeitamos a criatividade dos alunos'''', destaca Cardoso. Cada grupo tinha o nome de um diretor paulista, como homenagem: Mojica, Carlos Reichenbach, Jean Garret, Guilherme de Almeida Prado, David Cardoso, Carlos Coimbra e Ozualdo Candeias.

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