Projeto de lei propõe desapropriação do TBC

Um novo capítulo pode estar seabrindo na história do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), noBixiga, em São Paulo, criado em 1948 e marco do moderno teatrobrasileiro. Um projeto de lei, apresentado pelo vereador CarlosGiannazi, do PT, tramita na Câmara Municipal desde 23 dedezembro, sugerindo a desapropriação do prédio, pelo valor de R$7 milhões, e sua transformação em espaço de utilidade pública.Segundo o vereador, o projeto, caso aprovado, não alterarianecessariamente a vocação do teatro como espaço de apresentações, embora a possibilidade de o prédio ser transformado em escolade formação teatral também não seja descartada. À prefeita MartaSuplicy também foi encaminhada uma indicação propondo adesapropriação do teatro."O urgente é agir rápido, é não perder o teatro",disse o vereador. Ele lembra a ação efetiva que desapropriou acasa da família Buarque de Hollanda, no Pacaembu, e está prestesa reabrir como anexo do Centro Cultural São Paulo. Giannazi dizque a pressa se justifica: a proprietária do TBC, Magnólia doLago, disse ao vereador que já recebeu proposta de venda doprédio a uma igreja evangélica."Ofereceram até mais do que estou pedindo (R$ 7milhões), mas não venderia o teatro para os evangélicos",garante. Ao contrário da pressa do vereador, ela parece estarbem à vontade com a devolução do imóvel pela equipe doempresário Marcos Tidemann, que havia gasto R$ 4 milhões numarestauração bem-sucedida do prédio e reinaugurado o teatro, emsetembro de 1999. Mas as despesas (R$ 80 mil mensais, incluindoo valor da locação) tornaram-se mais altas que a receita depatrocínios e bilheteria, e o teatro voltou às mãos de suaproprietária, em um término de contrato. "Reabrirei o teatro nodia 20 de janeiro com um coquetel", afirma Magnólia. Elagarante estar formando uma equipe organizadora da novaprogramação do teatro. Na administração anterior, 24funcionários trabalhavam no teatro. Sobre o projeto de lei dovereador Giannazi, foi enfática: "Preciso ver isso direitinho;se a proposta não for boa, não fecho negócio."Na justificativa do projeto de lei, constamconsiderações sobre o significado do TBC para a comunidade,expresso "não apenas nas características do prédio, mas, também, no que tange à atividade cultural desenvolvida desde os maisremotos tempos na cidade de São Paulo".Trata-se realmente de um patrimônio histórico-cultural inestimável. Fundado em 1948, pelo industrial Franco Zampari, o TBC foi responsável não sópela criação do moderno teatro brasileiro, como da formação deuma geração de artistas do quilate de Fernanda Montenegro, PauloAutran, Tônia Carrero, Nydia Licia, Walmor Chagas e Maria DellaCosta. Outros, que já morreram, são lembrados pelo talentoinigualável, como Cacilda Becker e Sérgio Cardoso. Também foiberço do trabalho de diretores estrangeiros, como Ziembinski,Luciano Salce e Adolfo Celli. Dez anos depois da inauguração, oprédio sofreria sua primeira crise, causada por um incêndio.Poucas décadas depois, conheceu o abandono e sofreu deterioraçãonas mãos do município e do Estado. A chance de que mais umpatrimônio cultural da cidade não se perca depende, logicamente,mais do que de vontade, de ação.Para o novo secretário municipal de Cultura, CelsoFrateschi, numa primeira avaliação do caso, "o objetivoprincipal é concentrar todos os esforços para manter o prédiocomo teatro". Ele ressaltou que, numa opinião pessoal ("aavaliação final cabe à prefeita"), se justificaria adesapropriação do prédio para fins de utilidade pública. APrefeitura mantém teatros em vários pontos da cidade, como oPaulo Eiró e Alfredo Mesquita, e as salas do Centro Cultural SãoPaulo.Ainda para Frateschi, "tanto quanto a preservação dopatrimônio para a continuidade do processo de revitalização docentro, está em jogo o valor simbólico do TBC, sustentado pormais de 50 anos de história de teatro moderno". É bom lembrarque prédio está tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa doPatrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Turístico deSão Paulo).

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