Projeto celebra 50 anos de arte concreta

Há 50 anos, um grupo de amigos reuniu-se para realizar uma exposição no recém-inaugurado Museu de Arte Moderna de São Paulo. Com um pequeno manifesto que pedia a "renovação dos valores essenciais da arte visual", Geraldo de Barros, Lothar Charoux, Waldemar Cordeiro, Kazmer Féjer, Leopold Harr, Luiz Sacilotto e Anatol Wladyslaw lançaram em dezembro de 1952 as bases do movimento concretista paulista, que se tornaria um dos eixos essenciais para a compreensão da arte brasileira subseqüente. Para celebrar essa efeméride, que quase passou despercebida, o Centro Universitário Maria Antonia organizou uma série de mostras e eventos intitulada Projeto Arte Concreta Paulista. E a primeira etapa tem início nesta quinta-feira, com o lançamento de três exposições e a edição de dois catálogos/livro editados pela Cosac & Naify, com projeto gráfico de Alexandre Wollner. A primeira grande atração é a reedição da histórica exposição realizada em 1952. Apesar de ser impossível reconstituir a mostra com grande precisão - não houve catálogo, os jornais quase não noticiaram o evento e os artistas ainda vivos não se lembram com exatidão -, esse retorno ao passado chega ao requinte de propor uma cenografia quase similar à realizada na época. Também não foi possível obter obras de todos os participantes. Cordeiro, que era o mentor do grupo, é o mais bem representado, com sete trabalhos. Nos casos de De Haar, que morreu em 1954, e de Féjer, foi mais difícil. O primeiro está representado apenas por duas reproduções fotográficas, mas no mesmo lugar de destaque que ocupava na primeira mostra.Em outros casos as curadoras Rejane Cintrão e Ana Paula Nascimento conseguiram realizar um importante trabalho de garimpo, localizando, por exemplo, uma obra de Geraldo de Barros que a própria família não sabia onde estava. Aliás, um dos méritos desse evento é abrir portas para uma nova geração de curadores, curiosamente todos mulheres. O que mais impressiona é a diversidade entre os trabalhos, com os artistas seguindo poéticas bastante particulares, mas unidos pelo desejo de investigar o abstracionismo geométrico. A segunda exposição que será aberta é dedicada a Antonio Maluf, autor do cartaz da primeira Bienal de São Paulo e considerado "o marco zero do design gráfico moderno no Brasil", como afirma Regina Teixeira de Barros no texto do catálogo. Maluf não participou do grupo Ruptura, segundo Regina, não porque não foi aceito, mas porque seguia tão fielmente a cartilha do universalismo geométrico - defendido pelo construtivismo russo, pela Bauhaus e divulgado no pós-guerra por mestres como o suíço Max Bill -, que o julgava excessivamente permissivo, ao contário dos cariocas, que o acusava de inflexível. Uma terceira mostra surgiu durante o curto processo de realização das duas primeiras exposições - as curadoras tiveram apenas de dezembro a fevereiro para realizar a pesquisa e reunir o material para fazer os livros. Trata-se de uma sala dedicada a poemas visuais escritos por Augusto de Campos sobre o trabalho de artistas construtivos e que deve permanecer em cartaz no Centro Maria Antonia durante todo o período de realização do Projeto Arte Concreta Paulista. Após as mostras dedicadas ao grupo Ruptura e a Maluf, a instituição abrigará uma exposição dedicada ao grupo Noigandres, com curadoria de Lenora de Barros, e outra intitulada Waldemar Cordeiro e a Fotografia, concebida por Helouise Costa.Serviço - Projeto Arte Concreta Paulista. De segunda a sexta, das 12 às 21 horas; sábado, domingo e feriados, das 9 às 21 horas. Centro Universitário Maria Antônia. Rua Maria Antônia, 294, São Paulo, tel. 3255-5538. Até 21/7. Abertura nesta quinta-feira, às 20 horas

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