Proibido visitar a casa de Hemingway. Ketchum quer assim

A última casa de Ernest Hemingway é a única de suas três que não está aberta ao público ? e nunca estará, se a cidadezinha de Ketchum continuar resistindo à possibilidade de as salas onde um dos mais importantes escritores americanos viveu seus últimos momentos serem visitadas.Os moradores estão festejando sua segunda vitória contra a proprietária da casa, The Nature Conservancy, que pretendia oferecer tours à casa de dois andares sobre o Rio Big Wood.?Toda questão tem sempre dois lados?, diz Joan Anderson, uma vizinha da viúva de Hemingway, Mary, que transformou a propriedade de 5,2 hectares em área de preservação em 1986. ?Mas lembro-me dela dizendo que era-lhe difícil imaginar o que fazer com a casa. Tenho certeza de que ela não queria torná-la pública.?Hemingway, um prêmio Nobel de literatura, comprou a casa em 1959 e tornou-a sua residência permanente durante dois anos, até que cometeu o suicídio, aos 61 anos. Suas casas em Key West, na Flórida, e em Cuba estão abertas, assim como a casa em que nasceu, em Oak Park, Illinois. Há também um museu em Piggot, Arkansas, na casa de seus cunhados, onde Hemingway ficava freqüentemente, durante seu segundo casamento.A instituição de preservação de Idaho propôs as visitas, pela primeira vez, em 1996, mas foi tão criticada que mudou de idéia quase que imediatamente.O plano foi retomado no fim do ano passado pela Idaho Hemingway House Foundation, que agora administra a casa para a Nature Conservancy. Liderada pela vice-presidente Mariel Hemingway, neta do escritor e atriz, a fundação também queria restaurar a casa, implantar uma biblioteca, administrar workshops e criar um programa para escritores residentes. ?Achei que sendo esta a casa de Hemingway, algo ligado ao Vale do Rio Wood e a Ernest Hemingway e ao que ele representou para a comunidade de Ketchum e para a comunidade literária, isto ofuscaria qualquer objeção que os vizinhos tivessem?, diz Terry Ring, membro do conselho da fundação.Mas as objeções persistiram, desta vez partindo não apenas dos moradores do tranqüilo resort americano, mas de gente preocupada com a comercialização da memória do escritor e do aumento do trânsito.O único filho de Hemingway está dividido sobre a questão.?Ernest Hemingway amava Idaho. Teve bons momentos lá e fez muitos amigos?, diz Patrick Hemingway, que vive em Bozeman, Montana. ?Mas se a casa é um símbolo disso, não sei.?Susan Beegel, editora da The Hemingway Review, sediada no Maine, acha que se pode chegar a uma acomodação entre as partes, o que permitiria a abertura da casa, uma forma de as pessoas poderem entender melhor um dos mais proeminentes escritores dos Estados Unidos.?Hemingway não é apenas um escritor americano muito importante mas o mais traduzido dos escritores americanos no mundo?, lembra. ?A casa não é apenas importante para os americanos mas para o mundo.?Joan Anderson, a vizinha, admite o valor da casa e do acesso público a ela. ?Talvez haja um meio termo?, diz. ?Talvez a mudança seja inevitável e talvez ela seja aberta. Aceitarei o que acontecer. Mas já disse o que penso.?

Agencia Estado,

15 de abril de 2004 | 16h13

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.