Programação do Masp começa com fotos de Alex Flemming

Convidado pelo curador Teixeira Coelho Alex Flemming abre a programação de mostras do Masp deste ano com a exposição O Prazer e a Angústia em 50 Fotografias e Algumas Exceções, que será inaugurada quinta-feira à noite para convidados e na sexta-feira para o público. "Continuo fiel à minha pesquisa, à temática do corpo humano", diz Flemming, que vive na Alemanha. Sua exposição reúne 81 imagens realizadas em diversos lugares do planeta - São Paulo, Belém, Recife, Brasília Lisboa e Jerusalém e Berlim -, todas elas impressas sobre plástico PVC. A mostra de Flemming se encaixa no projeto de Teixeira Coelho de realizar exposições de artistas de meia-idade. "Há muito espaço para artista jovem, um montão de galeria para eles, e tem um tanto de artista brasileiro de meio de carreira que nem tem catálogo", diz o curador. Segundo ele, Flemming é um criador "não sacralizado ainda". "Ele vive em Berlim, suas obras para o metrô Sumaré são muito boas, mas nem tem uma galeria que o represente em São Paulo. Sua última grande exposição foi realizada em 2001 no Centro Cultural Banco do Brasil", afirma Teixeira Coelho. Dentro desse projeto, o curador do Masp anuncia que haverá ao longo do ano no museu mostras de Eder Santos e de Ana Maria Tavares. Ambos criarão obras inéditas para suas exposições e esse projeto ainda inclui a publicação de catálogos. "Infelizmente, por ser a primeira exposição, Flemming não terá um catálogo, mas um folder, porque ainda não temos patrocinador agendado", diz Teixeira Coelho. Essa atual exposição foi realizada com recursos da transportadora Tejofran e do Masp. Alex Flemming estava com a mostra praticamente pronta. Depois de exibi-la no Masp, vai aproveitar sua passagem pelo Brasil para também apresentar obras dessa série inédita na Galeria Celma Albuquerque, em Belo Horizonte, e na Galeria Ybakatu, em Curitiba. Destaques Segundo o artista, esta é uma mostra sobre o olhar numa época da hipersaturação de imagens - e uma ode à beleza. Com uma câmera Leica, Flemming enquadrou situações e lugares que se referem "ao corpo e suas três metonímias: a arquitetura, a religião e a comida", diz ele, enquanto finaliza a montagem da mostra. "A arquitetura é feita pelo homem; a religião é uma invenção do homem; e a comida é o eros e tanatos para viver e para morrer", define. Os peixes, encontrados em um mercado de Belém, revelam "a morte de maneira bela", afirma o artista. "A gente mata para viver e, ao mesmo tempo, o peixe é o primeiro símbolo do cristianismo, antes mesmo da cruz", completa Flemming. Ao mesmo tempo, a religião aparece nas imagens do interior de um templo em Lisboa, de uma mesquita de Jerusalém, de um cristo. "É a poesia e sedução da imagem, não importa se você reconhece os lugares ou não", diz o artista. Nesse sentido, não é uma mostra que trata da fotografia de forma tradicional, como diz Teixeira Coelho. Abrigadas nos cavaletes de vidro criados por Lina Bo Bardi, as imagens feitas por Alex Flemming ficam em alturas diferentes, o que permite vários pontos de olhar em toda a sala do primeiro piso do Masp. E pela montagem e pelos enquadramentos, em muitos momentos não fica evidentemente claro o local de origem das imagens. Elas trazem detalhes, inscrições pintadas tal como nas obras do artista instaladas na estação de metrô Sumaré, em São Paulo (são iniciais do artistas, números, o alfabeto e, numa delas, verso de Vinicius de Moraes), e se repetem com algumas poucas diferenças. "O que faz sentido na exposição de Flemming é o seu trajeto. Pelos cavaletes da Lina está uma realidade que não é tão palpável", afirma Teixeira Coelho. Flemming quis, por meio da desconstrução do olhar, lançar o desafio para o público. Alex Flemming. Masp. Av. Paulista, 1.578, Cerqueira César, (11) 3251-5644. 11h/18h (fecha 2.ª). R$ 15. Abertura quinta-feira, 20h, para convidados. Até 1.º/4

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