''Programa vai ao ar sem nenhum corte''

Marília Gabriela estreia amanhã no comando do novo Roda Viva

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

O telefone toca na casa de Marília Gabriela. Um dos filhos atende e informa que a mãe não pode atender, que está fazendo aula de canto, e a gente fica de conversar outro dia. Obra para o show que fará no Bourbon Street nos dias 21 e 22 próximos, a tarefa tem lugar certo numa agenda semanal agora ocupada pela gravação de três programas de entrevistas para a TV. Hoje à noite ela estará no canal pago GNT e depois, no SBT, mas amanhã, às 22 horas, já estará na tela da TV Cultura, a estrear no papel de mediadora do Roda Viva.

Na quinta-feira, um dia depois de gravar o piloto no novo cenário, a jornalista, atriz e cantora recebeu o Estado em sua casa para falar sobre tantas entrevistas, show, teatro e publicidade.

O programa será gravado. O espaço para perguntas do público será mantido?

Não, o programa é pré-gravado, a minha proposta, e a proposta da Cultura, é que, sabendo antecipadamente quem será o entrevistado, que eles enviem suas perguntas pela internet.

Mas a transmissão em tempo real pela internet será mantida?

Na hora da transmissão na TV. Vejamos, querida, nós estamos fazendo televisão? Quanto dava de audiência o Roda Viva na televisão? Você sabe? 0,75 ponto. Então, me parece um contrassenso querer conquistar um público de televisão botando o programa antes na internet.

E será gravado por conveniência de horário?

É uma conveniência de horário pra todo mundo, para os entrevistados também, é dureza ter pessoas de 10 às 11h30 da noite, lá, ao vivo. A gente vai ter direito a tosse, o programa não vai ser editado, essa é uma garantia. De repente é um programa que pouca gente vê, mas todo mundo quer dar palpite e desconfia, então vamos lá: programa pré-gravado não quer dizer que ele vá ser cortado. E é gravado exatamente como vai ao ar, com as vinhetas de abertura, vinhetas de passagens, e tenho lá meus "helicópteros" me avisando sobre o tempo, que detesto ponto eletrônico.

Mudando de foco: qual será o repertório do show no Bourbon?

É eclético, tem basicamente músicas que eu gostaria de cantar e algumas sugestões do Ruriah Duprat (maestro que produz e dirige o show). Começamos com algumas versões de jazz standard. Tem músicas em inglês que eu queria muito cantar (Gabi vai citando as canções e dando uma palinha). Tem Quando Tu Passas Por mim, de Antonio Maria e de Vinicius, tem Johnny Alf, tem uma de Caetano e outra do Gil, Abrir a Porta Pra você, que ele fez pra mim no tempo do TV Mulher.

As pessoas no Brasil costumam cobrar de uma personalidade que ela escolha um ofício só, e você faz novela, teatro, show, sem receios.

Os pares cobram isso, o grande público não. Eu tenho possibilidades, todo mundo tem, eu exploro as minhas. Sou de uma família musical. Quando vim para São Paulo, o Raul Cortez me levou pra fazer teatro, eu já trabalhava na televisão. Durante toda a minha carreira na televisão eu ia recebendo convites, de diretores de teatro, de cinema, e eu dizendo não, até que quando fiz 50, disse: por que não?

Também disse muito não a propostas para fazer publicidade?

Digo diariamente. Quando aceito, faço uma pesquisa antes, para ver a idoneidade, o que pode me comprometer, sou muito cuidadosa com isso. Os pares cobram também, mas sem muita visão do que acontece na vida deles. Os jornais, as revistas são patrocinadas, quer dizer: os patrões podem, mas quem trabalha dentro não. Não acho que os produtos que eu escolhi representar no espaço comercial tenham afetado meu trabalho.

Quem falta entrevistar na vida?

O Chico (Buarque), nunca fiz e duvido que ele vá fazer um dia. Roberto Carlos: encontro, converso, simpático, tiramos fotos, prometeu entrevista, não deu. Não quero mais, agora. Já insisti. Tem uma hora que eu paro. O Silvio Santos também já desisti. Tentei, tentei, não quis, não quero mais. Chega uma hora que eu não quero mais. Porque, ao contrário do Groucho Marx, eu sou aquela que não quer frequentar clubes onde não sou aceita como sócia.

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