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Profusão de imagens fortes

Gramado exibe documentários sobre as drogas e a indústria frigorífica

Luiz Carlos Merten / GRAMADO, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2011 | 00h00

Começou na tarde de domingo, com Carne e Osso. O documentário de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros, exibido na Mostra Panorâmica, aborda a tragédia dos trabalhadores da indústria dos frigoríficos. Ao comer um frango desossado ou o seu filé, você nem imagina o que pode ser o horror que precedeu a chegada desses ingredientes à sua mesa. Os procuradores do trabalho expõem com clareza. É um dos setores da economia que mais contribuem para o rombo da Previdência. O que as empresas recolhem com impostos não cobre o prejuízos que causam. Além das mutilações físicas, os trabalhadores de frigoríficos têm três vezes mais problemas mentais.

É um filme de horror? Com certeza. Muita gente acusa os diretores de televisivos. O filme seria uma boa reportagem de televisão, mas não um filme. É discutível. A decupagem dos 18 movimentos que os trabalhadores fazem para desossar uma coxa de galinha em 15 segundos remetem à célebre cena do assassinato na ducha em Psicose, de Alfred Hitchcock. O próprio clássico do mestre do suspense foi feito usando técnicas televisivas, sem deixar de ser cinema. É uma das cenas mais influentes, a mais influente dos últimos 50 anos. Carne e Osso vai ser colocado na internet, mas seria importante ver o filme nos cinemas e, de preferência, seguido de debate.

Do México veio A Tiro de Piedra, de Sebastian Hiriart, uma história muito interessante de um pastor de ovelhas que tem um sonho e parte em busca do tesouro que, acredita, encontrará nos Estados Unidos. Ele consegue transpor o muro que separa os dois países e vive verdadeira odisseia, ou inferno, antes de descobrir - como Dorothy, em O Mágico de Oz - que não existe bem maior do que voltar para as ovelhas que começavam a desgastá-lo. É um belo filme, com um ator, desde já o melhor do festival, Gabino Rodriguez, que fala com os olhos.

Texturas. A noite encerrou-se com o documentário Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat, que repetiu a performance de público em Paulínia. Os críticos também amaram. Toda unanimidade é burra, advertia Nelson Rodrigues. O filme é sobre a ligação de Lúcia com seus dois irmãos. Um morre, e a dor da morte de Miguel é o motor do filme. O outro, Heitor, é esquizofrênico (e também fala pelos olhos).

Até por tratar de droga, nos libertários anos 1960, Lúcia se permite carregar no visual. Há, por assim dizer, um excesso de texturas da imagem - um minuto de imagem clean seria bem-vindo, mas não vem. Os silêncios também são raros. O pior de tudo - a exposição que o filme faz de Heitor, que termina por escapar ao controle da diretora. Ele é engraçado, mas o público ri como se estivesse vendo uma caricatura do Maluco Beleza.

SERRANAS

Homenagem

Fernanda Montenegro recebe, à noite, o Troféu Oscarito. A grande dama do teatro, cinema e TV já anunciou que está de luto - pela morte do amigo Ítalo Rossi - e que receberá o troféu somente para honrar o compromisso. Para Fernandona, não é tempo de festa.

Formação

Fora de concurso, o longa Um Sonho de Hollywood vem sendo mostrado para espectadores da periferia da cidade. São sessões muito concorridas, que integram o projeto de formação de público do evento.

Ação

A empresa que capta recursos para a realização do festival, ACTG, é alvo de duas ações, uma cível e outra do Ministério Público, acusada de superfaturamento e desvio de verbas no Natal da Luz, evento que realiza em Gramado, em dezembro.

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