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'Profissão Repórter' chega aos 5 anos

Dono de vaga cativa na concorrida Globo, programa resgata personagens emblemáticos de seu repertório

CRISTINA PADIGLIONE, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 02h12

Nascido como quadro do Fantástico e logo promovido a uma vaga solo na concorrida grade da TV Globo, o Profissão Repórter alcança nesta terça-feira a proeza que a maioria das séries de ficção testadas pela casa não atinge: cinco anos de vida no ar. Para celebrar, Caco Barcellos e seus aprendizes resgatam duas histórias que marcaram a trajetória do Profissão: dois personagens ali enfocados - o maranhense Adriano, que ainda nos idos do Fantástico, em 2006, surgia cruzando o País em um ônibus, e o haitiano "Espera", que serviu de guia à equipe durante a primeira grande reportagem internacional do programa, no Haiti, após o terremoto de 2010.

Adriano relata sua trajetória às lentes do Profissão, de 2006 para cá. Foi parar no interior de São Paulo, trabalhou em lavoura de cana-de-açúcar e hoje é soldador de uma metalúrgica. Seu principal cartão de visitas hoje, no entanto, está na esfera pessoal: representante de uma classe ascendente no Brasil, ele acaba de realizar o tão aclamado sonho da casa própria.

"Espera", o outro personagem da edição de aniversário, resgata o terremoto do Haiti e sua posterior vinda para o Brasil. Hoje também morador de São Paulo, acredite, ele é um entre as centenas de operários que se empenham em erguer o Itaquerão, estádio do Corinthians, que colocará São Paulo na agenda da Copa de 2014.

"Espera" conta que tem uma filha no Haiti, mas já não é mais casado com a mãe dela.

Criado com a proposta de mostrar mais de um olhar sobre um mesmo tema, sempre com a colaboração de jovens profissionais da notícia, o Profissão Repórter foi ao ar pela primeira vez como edição especial do Globo Repórter, em abril de 2006. Na etapa seguinte, o formato sobreviveu por dois anos como quadro do Fantástico, que ao todo exibiu 43 edições do Profissão Repórter. Também teve espaço em tom de "especial", por quatro vezes entre 2006 e 2007.

Em junho de 2008, finalmente ganhou o espaço cativo nas noites de terça que mantém até hoje, por meia hora. Em 2011, foi indicado para o Emmy Awards pelo programa Crianças e Drogas. Também foi indicado para o Prêmio Allianz de sustentabilidade (2012) e ao Mídia da Paz (2008), com reportagem sobre prostituição infantil.

Nas prateleiras, entre vários prêmios, acumula troféus por reportagens sobre brasileiros sem documentos e sobre famílias gays. Mas nem o foco social nem a proeza em fugir da zona de conforto do conceituado padrão Globo livraram Barcellos de ser agredido durante as primeiras manifestações públicas ocorridas em São Paulo, há três semanas. A busca por olhares diversos, afinal, e a ousadia de se misturar à multidão, não são obra para os fracos.

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