Professor e crítico João Alexandre Barbosa morre em SP

João Alexandre Barbosa foi um dos grandes professores e críticos de literatura do Brasil. Nasceu no Recife mas fez sua carreira no Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo, criado em 1961 por Antonio Candido, que era seu grande amigo. Em 1966 entrou para o grupo que iniciou o departamento, composto ainda por Roberto Schwarz, Walnice Nogueira Galvão, Davi Arrigucci Júnior, Teresa Pires Vara. O Salão Nobre da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas foi o local escolhido para o velório do corpo de João Alexandre Barbosa, que morreu na manhã desta quinta-feira, aos 69 anos, de complicações renais, no Incor, em São Paulo, onde estava internado há três meses. O velório que começou por volta das 14 horas, prossegue até as 9 horas desta sexta. Ele será cremado às 10 horas, no cemitério da Vila Alpina. João Alexandre Barbosa era professor aposentado de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP, foi diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária e presidente da Edusp, a editora da Universidade de São Paulo, onde provocou uma revolução em sua linha editorial.Formado em Direito, João Alexandre Barbosa deu aulas de literatura francesa no Recife, onde escrevia no principal jornal pernambucano, o Jornal do Comércio, em 1962. Com o golpe militar de 1964, Alexandre Barbosa tentou viver em Brasília, mas as dificuldades de se manter justamente na capital obrigaram o professor a transferir sua residência para São Paulo.É autor entre outros de A Imitação da Forma e A Metáfora Crítica, entre outros livros fundamentais sobre poesia contemporânea. Tinha uma forte ligação com a cultura francesa, admirador e estudioso dos poetas Baudelaire e Mallarmé, que renderam trabalhos como As Ilusões da Modernidade (Perspectiva). Um de seus livros fundamentais, A Biblioteca Imaginária (Ateliê Editorial, 1996), reúne ensaios sobre os brasileiros João Cabral de Melo Neto, Machado de Assis e Mário de Andrade, além do francês Paul Valéry e do italiano Ítalo Calvino. Um dos poetas preferidos de Alexandre Barbosa foi seu conterrâneo recifense João Cabral de Melo Neto (1920-1999) a quem dedicou vários ensaios e um livro que tem por título seu nome (João Cabral de Melo Neto, 2001, Publifolha). Sobre a função do crítico na sociedade brasileira, ele a analisa em A Leitura do Intervalo(Iluminuras, 1990) panorama histórico da poesia e da evolução da crítica no Brasil, de Sílvio Romero a Antonio Candido.João Alexandre Barbosa era casado com a arte-educadora Ana Mae Barbosa, professora aposentada da USP e um das pioneiras da arte-educação no Brasil. Deixa dois filhos e uma neta.

Agencia Estado,

03 de agosto de 2006 | 14h35

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.