PRODUTO INTERNO BRUTO

Em bom português, bandas de metal quebram a muralha chamada idioma

MARCELO MOREIRA, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h12

Enquanto artistas nacionais que fazem heavy metal em inglês estrebucham contra a suposta falta de público em seus shows - o que rendeu uma patética e rasteira entrevista de Edu Falaschi, cantor do Angra, recheada de palavrões -, começa a ganhar corpo um movimento de bandas que fazem rock pesado em português, apesar do preconceito dos puristas. Entre esses abnegados, as reclamações são poucas, e o público está crescendo ano a ano.

A banda paulistana Carro Bomba desponta, por enquanto, na liderança dos metaleiros que cantam em português. O recém-lançado álbum Carcaça, pela Laser Company, traz tudo o que não existe mais ou quase desaparecido no pop rock nacional: qualidade, espontaneidade e garra.

Carcaça é uma pedrada na cabeça do headbanger nacional. Nunca uma banda brasileira que canta em português havia atingido um peso tão grande nas músicas e alcançado uma timbragem tão forte e limpa nas guitarras, que estão na cara. E tudo isso sem recorrer tanto aos manjados temas de sempre no hard rock brasileiro - mulheres, bebidas, zoeira, bebidas, carros, bebidas, mulheres…

"O som pesado sempre foi a nossa característica, sempre buscamos aprimoramento e pesquisamos novos timbres. Carcaça é resultado de muito trabalho em estúdio, mas principalmente também de muita pesquisa para achar exatamente o que queríamos", diz o baixista Fabrizio Micheloni, um dos fundadores.

Os mineiros do Uganga preferem um som mais moderno e mais calcado no hardcore dos anos 90, apesar dos ecos de clássicos como AC/DC e Motörhead, as principais influências do Carro Bomba. O som pesado era o caminho natural para a banda, que tem em sua formação Manu "Joker" Henriques, ex-baterista da lendária Sarcófago, que teve bastante prestígio no metal dos anos 80. "São mais de 20 anos tocando rock pesado e passando por várias situações. Não dá para ficar reclamando de falta de público. Temos de ralar muito", diz o músico.

O Uganga lançou no primeiro semestre o álbum Vol.3: Caos, Carma e Conceito, também editado na Europa, e prepara para 2012 um álbum ao vivo gravado no Razorblade Festival em 2010, na Alemanha. "Nossa primeira turnê internacional, com 18 shows em dez países, mostrou que o rock pesado em português é uma alternativa mais do que válida", afirma Henriques.

Merecem menção ainda no "movimento" o Baranga (hard rock) e o Muqueta na Oreia (punk/harcore).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.