Produção de "Os Lusíadas" é impressionante

Faltando R$ 400 mil para completar o orçamento de R$ 2 milhões, Ruth Escobar está a todo vapor com a produção de sua montagem de Os Lusíadas, a empreitada que ela considera "a maior produção da minha vida". A montagem está prevista para estrear no dia 15 de dezembro. Os números para a encenação do clássico inaugural da língua portuguesa são impressionantes: serão cem pessoas no palco, dez guinchos e máquinas que erguem atores e elementos em cena, 600 espectadores por sessão, nove grupos performáticos de equilibristas e malabaristas. Duas enormes rampas de concreto serão colocadas na entrada e na saída do espaço. "Cada adereço de um índio nu do elenco custa cerca de R$ 350", calcula a empresária. "Já está custando mais do que um dos meus festivais". Ela fez um acordo com a Cooperativa Paulista de Teatro, que é a responsável pela contratação e pagamento do elenco. Baseado no poema épico de Luís de Camões, escrito em 1572, o espetáculo ocupará a parte externa da Estação Júlio Prestes e o grande saguão de embarque - que será isolado do resto da estação. A carnavalesca Rosa Magalhães (carnavalesca da escola carioca campeã deste ano, a Imperatriz Leopoldinense), o diretor de teatro Amir Haddad e o arquiteto Ruy Ohtake são os responsáveis pela adaptação do espaço, já em curso. Ruth diz que "tem certeza" que o espaço do saguão da Júlio Prestes (contíguo à Sala São Paulo) será transformado em um teatro permanente. Tem a garantia do governo estadual. E ela tem aproveitado a circunstância para visitar comerciantes da região, procurando envolvê-los numa grande ação para reabilitar o centro. "Queremos montar na praça um teatrinho ao ar livre, para ajudar na recuperação das crianças na crackolândia", diz a empresária. Os ensaios já estão em curso na antiga sede do Dops, em São Paulo. Jairo Mattos, assistente de Amir Haddad ("E que provavelmente será Vasco da Gama ou Adamastor na montagem", diz a produtora), selecionou sete grupos performáticos para atuar na encenação. São eles: Pia Fraus, Linhas Aéreas, Circodélico, Fractons, Circo Mínimo, La Mínima e Companhia Circo Navegador. Também haverá participações especiais dos Paralapatões e do grupo Tá na Rua. "Esses grupos darão mais homogeneidade à encenação, além de trazer mais entusiasmo e paixão", afirma a empresária. No ano que vem, Os Lusíadas chega à Estação Leopoldina, no Rio. Depois, embarca para Lisboa, onde será mostrado no Coliseu de Lisboa (uma arena de 3 mil lugares próxima ao Teatro D. Maria I) e na cidade do Porto, também no coliseu local. Mas a itinerância do espetáculo não pára na Europa. Ruth Escobar embarcou na quinta-feira para os Estados Unidos, onde se encontraria com Robert Cole, empresário que poderá levar a montagem para a Brooklyn Academy of Music (BAM). O trajeto entre o anúncio da montagem e a efetivação do espetáculo trouxe algumas baixas. Ruth tentou acordos com vários diretores, como Márcio Aurélio e Gerald Thomas, mas acabou decidindo-se mesmo por Amir Haddad. "Ele trabalha com pessoas comuns e tem a mesma noção que eu tenho desse espetáculo", ela afirma. "Muita gente vê Os Lusíadas como algo hermético, acadêmico, mas ele o encara como um espetáculo de alcance popular", afirma. Outra baixa foi na versão inicial do texto, feita pelo diretor Djalma Limongi Batista. "Ele tomou licenças absolutamente inaceitáveis", pondera Ruth Escobar. "Vamos aproveitar o roteiro dele para o espetáculo de uma hora e meia de duração, mas estamos voltando a Camões", ela diz. E se o adaptador ficar chateado? "Quem ficaria magoado seria Camões se mexessem no seu texto", ela retruca.

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