Procura-se uma Marina Silva

Camila Pitanga, Dira Paes, Vanessa Giácomo, Lucy Ramos, Ana Cecilia Costa ou Luciana Bezerra? As seis atrizes estão cotadas para viver a protagonista da nova cinebiografia de Sandra Werneck, diretora do superpremiado e superassistido Cazuza - O Tempo Não Para (só no cinema, em 2004, foram três milhões de espectadores): Maria Osmarina Silva Vaz de Lima.

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

O Brasil a chama de Marina Silva, senadora, candidata à Presidência da República com 20 milhões de votos em 2010, ambientalista reconhecida mundialmente. No cinema, o público que acompanha a distância sua trajetória vai conhecer a menina da floresta, a religiosa, a empregada doméstica, a historiadora, a defensora da ética na política.

O primeiro desafio, que a diretora espera ver superado logo, é achar a sua cara, meio branca, meio índia, meio negra, entre mulatas e morenas de diferentes cantos do Brasil, com menos ou mais experiência como atriz - a paraense Dira Paes é a única que vem da mesma região de Marina.

"Já procurei no Acre e não achei ninguém. Fico ansiosa, mas sei que vou encontrar. Vamos trabalhar como fizemos com o Daniel de Oliveira (que interpretou Cazuza), durante um ano", conta Sandra, que não imagina a decisão final sem a presença de Marina. Ela também quer sua opinião sobre o roteiro, atualmente em fase inicial.

A audição tem uma parte com texto e outra improvisada. Camila ainda deve fazê-la; as demais já participaram. Marina deve ser retratada desde a infância até a chegada ao Ministério do Meio Ambiente de Lula.

Sandra queria Wagner Moura como Chico Mendes, mas o ator não terá disponibilidade. As filmagens, em parte na Amazônia, ficarão para 2012. Ela não pretende recorrer a editais de empresas estatais (é uma maneira de evitar polêmicas).

A base do roteiro é o livro Marina - A Vida Por Uma Causa, da jornalista Marília de Camargo César, lançado dois meses antes das últimas eleições, e acusado de instrumento de marketing eleitoral à época. Foi o livro, que Sandra descobriu por acaso, numa entrevista de Marina a Jô Soares, que aproximou diretora e personagem.

A história de vida de sua candidata à Presidência a conquistou por seus lances dramáticos - a infância pobre no seringal, a saúde frágil (teve três hepatites, cinco malárias e uma leishmaniose), o analfabetismo até os 16 anos - e de superação - o engajamento ao lado de Chico Mendes, as filiações ao PT e ao PV, as eleições para vereadora, deputada, senadora e a atuação como ministra.

Sandra só não contava com a dificuldade para convencê-la. "Tive um estranhamento. Biografia de quem está vivo e ativo é algo esquisito. É uma superexposição, um "show do eu". Mas a Sandra buscou um modo delicado. Assisti ao Cazuza e gostei muito", diz Marina, para quem é curioso palpitar sobre a escolha da atriz. "Acho que pode ser alguém de qualquer lugar do Brasil, isso não deve ser engessado."

Sandra conta que gosta de Lula - O Filho do Brasil, o mal-aventurado filme de Fábio Barreto, mas não das comparações com seu projeto. "Não tem nada a ver. O Lula tinha candidato à reeleição. A Marina não tem partido, não é candidata a nada, nem vai ser. Ela aparece muito mais falando do meio ambiente."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.