Processo raro de produção

Montar um filme é processo que pode levar de semanas a meses. No caso de Girimunho, vai seguir o tempo necessário. Ou seja. Vai ser muito bem decantado para, então, dar forma às aventuras vividas por Bastu e Maria. "Se para filmar um longa, em geral gastam-se quatro semanas, Girimunho consumiu oito. Por mais que elas fossem "nossas atrizes", estávamos lidando com duas senhoras que não tinham obrigação de embarcar na viagem. Tinha dia que elas não se sentiam bem. Respeitávamos. Dias em que tudo rolava bem, então filmávamos. Não mostramos o roteiro para elas, propositalmente, mas houve sempre muita conversa e preparação", conta Helvécio, que já havia dividido a direção com Clarissa no premiado curta Trecho.

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

Para a montagem, o tempo vai ser o mesmo, o da paciência. Mas deixar o filme "descansar" não significa que os diretores não tenham ideia do que vai ser visto na tela. "Da escolha dos planos à edição, tudo foi pensado como uma ficção clássica. Enquanto filmávamos, fazíamos uma pré-montagem para testar o funcionamento. Agora é dar o corte final. Mas tudo será feito sem pressa."

Em se tratando de um filme da Teia, pressa é palavra que não entra. Famoso por trabalhar o tempo de seus filmes como um "observador ativo", o coletivo foi criado em 2002 por Helvécio, Clarissa, Leonardo Barcelos, Marília Rocha, Sérgio Borges e Pablo Lobato. "Não foi uma escolha "estética", mas prática. Já trabalhávamos cada um em sua casa. Um dia resolvemos que, para facilitar, alugaríamos uma casa e trabalharíamos juntos. E nasceu a Teia", conta a dupla. "Claro que há uma forma de pensar comum que nos une. E que um participa do projeto do outro. Mas cada um tem uma forma particular de filmar."

Além de Girimunho, a Teia trabalha atualmente em diversos outros projetos, como a finalização do primeiro longa de Borges, Cidades Invisíveis, e do novo curta de Lobato, Queda.

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