PRIMEIRO LONGA FAZ 70 ANOS

O diretor português Manoel de Oliveira, que completou 104 anos no dia 11 de dezembro, assistiu na noite de quarta-feira à comemoração dos 70 anos de seu primeiro longa-metragem, Aniki Bóbó, ou a Loja das Tentações, durante o 33.º Fantasporto, Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto, cidade natal do cineasta.

O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h15

Aniki Bóbó - que estreou em Lisboa, no Cinema Éden, em 18 de dezembro de 1942 - , obra emblemática do veterano cineasta, conta a história de um grupo de crianças do Porto, cidade do norte de Portugal, em um filme que foi considerado precursor do neorrealismo.

"Quando a produção foi exibida pela primeira vez, em Lisboa e no Porto, foi retirada rapidamente de cartaz por falta de espectadores", afirmou Manoel de Oliveira, que assistiu à comemoração acompanhado da mulher, Maria Isabel. "E agora, 70 anos depois, recebe essa acolhida excepcional, que me emociona e agradeço", disse ainda o diretor.

Em 1942, na estreia, houve muitos elogios, mas também quem alertasse que Aniki Bobó era uma "infame cilada armada à inocência das crianças".

"É uma marca do cinema mundial, o primeiro filme do neorrealismo", afirmou o diretor do Fantasporto, Mario Dorminsky, ressaltando o caráter pioneiro da obra.

Manoel de Oliveira, internado durante breves períodos em dezembro e janeiro, sofre uma doença cardíaca crônica que não lhe permite realizar grandes atividades. No ano passado, ele concluiu o roteiro de seu próximo filme, A Igreja do Diabo, inspirado na obra do escritor brasileiro Machado de Assis, e trabalhou no roteiro de um novo curta.

Seu filme mais recente, O Gebo e a Sombra, estreou no verão passado na Mostra de Veneza. Antes, tinha rodado um curta sobre Guimarães, cidade do norte de Portugal designada capital europeia da cultura em 2012.

Ao longo de sua carreira, iniciada ainda na época do cinema mudo, Manoel de Oliveira dirigiu 50 obras de ficção e documentários. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.