Primeiro ato de arrepiar e que boa atriz é a menina

Tudo bem que o público se queixe, às vezes, de que, ao criticar determinados filmes, os resenhistas terminem por revelar detalhes importantes da trama, tirando a graça que o espectador pode ter ao descobrir essas coisas no escurinho do cinema. Tem gente que chega a recomendar que o público só leia depois de ver o filme. Mas existem obras em que o cuidado deve ser redobrado.

O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2011 | 03h07

O novo Pedro Almodóvar, A Pele Que Habito, por exemplo. É bom, para o próprio impacto da obra, que o espectador faça suas descobertas à medida que elas ocorrem na tela. Há um segredo (de Polichinelo?) em A Chave de Sara. Pense, lá atrás, no mistério da identidade sexual da personagem de Jaye Davidson - até o nome é dúbio - em Traídos pelo Desejo. O segredo aqui é o que ocorre com o irmão de Sara, naquele momento em que a família é lançada no episódio que ficou conhecida como a razia de Vel d'Hiver.

Como drama tradicional, A Chave de Sara se estrutura em três atos. O primeiro é tão forte que a emoção se sustenta pelos outros dois e o público não desgruda o olho da tela, mesmo que o acúmulo de subtramas, de alguma forma, ameace diluir o impacto. Sara, no primeiro ato, é uma menina, Mélusine Meyance. Morreram 6 milhões de pessoas no Holocausto. É muito possível que o espectador, diante do horror da história do irmão de Sara, transforme a dupla (e ele) em símbolo.

Mélusine é uma criança. Sua história se passa em 1942, há quase 70 anos. Ela nunca chega a se encontrar - e, portanto, não contracena - com Kristin Scott-Thomas, a jornalista que retraça sua história e também move mundos para localizá-la. O relato pode ter problemas, mas a história, em si, e as duas atrizes, a menina e a veterana, são de arrepiar.

Crítica: Luiz Carlos Merten

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