PRIMEIRAS CENAS DE GABRIELA

Juliana Paes e Ivete Sangalo brilham no lançamento da próxima novela da Globo

ALLINE DAUROIZ, SALVADOR, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2012 | 03h09

Um Bataclan colorido, dançante e com uma Maria Machadão que canta; cenas de sexo sugerido e carinhoso entre Gabriela e Nacib e uma fotografia de cinema foram as primeiras impressões deixadas pelo clipe de Gabriela - próxima trama das 23 horas da Globo com estreia prevista para junho -, apresentado anteontem no lançamento da novela em badalado restaurante de Salvador, Bahia. "Não tinha visto nada ainda, não gosto de me assistir antes da estreia, mas pelo que vi, estou emocionada e satisfeita", disse a protagonista Juliana Paes, que escutou do autor, Walcyr Carrasco: "Você está ótima, mas isso, eu já sabia", após a exibição das cenas aos jornalistas e convidados.

Segundo o autor, discípulo de Walter Avancini (diretor da novela homônima de 1975), fazer Gabriela era um sonho antigo. "É uma obra eterna. Sempre me chamou a atenção a discussão moral e política e, há quatro anos, venho pedindo à Globo para fazer Gabriela, mas só este ano, centenário do Jorge Amado, eles me deram o aval", disse Carrasco. "Topei na hora, emendei o fim de Morde & Assopra com o início de Gabriela e fiquei sem férias."

Com 20 capítulos escritos, dos 76 que compõem a nova versão, Carrasco garante não ter visto a primeira novela, que eternizou Sônia Braga no papel, e diz que está se baseando só no livro para compor a história. Ele também conta que visitou famílias tradicionais de Ilhéus e deu dicas sobre a cenografia a Mario Monteiro, cenógrafo da Globo que participou da novela de 1975.

Sobre a escolha de Juliana e Humberto Martins (o novo Seu Nacib), Carrasco explicou que Juliana tem "o olhar de Gabriela". "Ela tem uma coisa maliciosa e ao mesmo tempo de criança, é brincalhona e tem carisma, o que Gabriela também tem. Já o Nacib tem uma coisa que o Humberto tem: uma certa inocência no olhar, apesar de ser muito másculo. O Nacib é capaz de ter uma fragilidade dentro da virilidade."

Ao lembrar Armando Bogus (o Nacib da novela de 1975), Humberto Martins chegou a se emocionar. Os dois trabalharam no mesmo núcleo na novela Pedra sobre Pedra (1992), ele como o cigano Iago e Bogus como o ambicioso Cândido Alegria. "Nos tornamos muito amigos na época e, infelizmente, logo depois ele morreu. Mas aprendi muito com ele. Ele tinha uma concentração incrível e uma percepção de cena fora do comum. Acho que hoje ele possa estar ligado, de alguma forma, à minha escolha para este papel."

Juliana dividiu as atenções na festa com Ivete Sangalo, a Maria Machadão da vez que, em cena, canta a versão musicada do poema Canção para Ninar Malvina, retirada da obra de Jorge Amado. "Fui recebida e tratada como atriz, não como alguém que tá começando", disse a cantora, que conheceu Jorge Amado aos 13 anos. "Eu era amiga de uma sobrinha ou neta dele, não lembro. E, no recreio da escola, fui uma vez à casa dele no Rio Vermelho. Lembro dele sentado numa cadeira branca de madeira, dizendo que eu parecia um coqueiro, porque eu era comprida."

Segundo Carrasco, a ideia de convidar Ivete surgiu depois que ele a viu no especial de fim de ano da Globo: "Ivete é uma grande atriz. Acho que ela não vai fazer só esta novela. Ela vai tomar gostinho pela coisa. E eu a convidaria."

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