Primeira visão panorâmica no País

Três grandes esculturas da série de homens alongados, delgados e caminhando, tão icônicos da obra de Giacometti, estarão, entre 26 de março e 17 de junho de 2012, no octógono da Pinacoteca do Estado, em São Paulo, figurando como um dos destaques da primeira retrospectiva do suíço a ser realizada no Brasil. Mas a mostra terá ainda muito mais - cerca de 200 obras do artista ocuparão todo o primeiro andar do museu para apresentar o percurso de um dos criadores mais referenciais do século 20. Temas caros à sua produção estarão contemplados na exposição, como a influência de Cézanne, do cubismo e da arte africana e a raiz surrealista para a "invenção de uma nova representação do ser humano", destaca a curadora Véronique Wiesinger.

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h09

No ano passado, a escultura L'homme qui marche I, criada por Giacometti em 1961, foi arrematada por US$ 104,3 milhões em leilão da Sotheby's, em Londres, um recorde. "Foi um desafio grande realizar essa retrospectiva, com uma demanda orçamentária significativa", diz Marcelo Araujo, diretor da Pinacoteca do Estado. Para a apresentação em São Paulo, o orçamento da mostra é de R$ 2 milhões. Depois da exibição no museu paulistano, a exposição, feita em parceria com a Fundação Alberto e Annette Giacometti, sediada em Paris, seguirá para o Museu de Arte Moderna do Rio e para a Fundação PROA de Buenos Aires, na Argentina.

O projeto da retrospectiva de Giacometti, produzido pela Base 7, vem sendo desenvolvido há cerca de quatro anos. Véronique Wiesinger, que assina a curadoria, foi a responsável pela retrospectiva que o Centro Georges Pompidou de Paris promoveu em 2007 sobre o pintor e escultor. Ela é também diretora da fundação instituída pelo artista e sua mulher na capital francesa, onde ele, nascido em Borgonovo (na região italiana da Suíça), viveu a partir de 1923.

As obras da exposição - pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e peças de artes decorativas - pertencem justamente à fundação que leva o nome do artista. "Apenas uma escultura da coleção do MAM do Rio foi incorporada", afirma Araujo. O conceito da mostra é promover uma visão panorâmica de sua produção. "A Bienal de São Paulo de 1998 apresentou uma sala de Giacometti, mas esta será a primeira exposição do artista no Brasil com um caráter mais amplo, com obras de todas as linguagens desenvolvidas por ele", diz o diretor da Pinacoteca. "De certa forma, no imaginário geral, Giacometti é só escultor, mas ele foi um grande pintor também." Araujo também destaca como parte da mostra conjunto de 30 gravuras produzidas em fase tardia pelo artista e obras que contextualizam sua família - seu pai, Giovanni Giacometti, foi pintor e seu irmão, Diego, designer e escultor.

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