Primavera dos Livros marca diferença

Uma nova experiência em matéria de feira de livros chega a São Paulo este ano. É a Primavera dos Livros, que vai reunir editoras de pequeno e médio portes no Centro Cultural São Paulo, entre 17 e 20 de outubro. Cerca de 70 editoras vão ter a chance de mostrar ao público seus catálogos, muitas vezes desconhecidos do grande público. E o que é melhor: com descontos prometidos de até 40%. Hedra, Casa da Palavra, Contraponto, Garamond, Iluminuras, Cosac & Naify. Editoras que a maioria nunca viu em anúncios e às vezes nem em livrarias dão o tom na Primavera dos Livros. É uma alternativa às Bienais, nas quais os enormes estandes de empresas como Record e Objetiva aparecem (e vendem) mais. Para Ivana Jinkings, da editora Boitempo, nas bienais ?o livro passou a ser um coadjuvante em meio aos verdadeiros castelos de néon armados?. O Primavera dos Livros pretende marcar sua diferença oferecendo livros de literatura e ciências humanas editados sem a pressa industrial dos ?mais vendidos?. Apesar disso, não existe a intenção de fazer oposição às bienais: ?nossa intenção é trazer de volta para as feiras de livros um público que havia se afastado desse tipo de atividade?, diz Ivana. Mas alguns critérios da organização do Primavera sinalizam diferenças fundamentais: todos os estandes têm o mesmo tamanho, nenhuma editora pode lançar novos livros no evento e os custos de estande são menores. Os números da primeira edição do Primavera dos Livros, no Rio de Janeiro em 2001, atestam o sucesso da iniciativa. Lá, em três dias no Jockey Clube carioca, 10 mil pessoas compareceram e esquentaram as vendas de pequenas editoras do Rio e de São Paulo. O evento tornou-se parte do calendário anual da cultura no Rio de Janeiro e conta com patrocínio da prefeitura. No Rio, o Primavera 2002 será de 19 a 22 de setembro.A feira chega a São Paulo maior que a original. Participam este ano editoras mineiras e gaúchas, além daquelas do Rio e São Paulo. Com a abertura do evento na cidade daqui a dois meses, as editoras paulistas querem que a prefeitura também dê sua colaboração. Mas para o público leitor, qual é a diferença? Ivana Jinkings acha que o público sai beneficiado com uma feira anual de livros menor e mais variada que a Bienal. ?Não apenas porque compra livros com descontos que vão de 20% a 40%, mas principalmente por ter a oportunidade de se deparar com os catálogos de editoras que muitas vezes não estão distribuídas nas grandes redes de livrarias?, diz.

Agencia Estado,

13 de agosto de 2002 | 20h07

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