MERRICK MORTON/DIVULGAÇÃO
MERRICK MORTON/DIVULGAÇÃO

Prévia, sim, para o Oscar

Globo de Ouro pode, depois de muitos anos, influenciar os votos da Academia

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

Faz tempo que o prêmio da Associação dos Cronistas Estrangeiros deixou de ser considerado uma prévia do Oscar. Nos últimos anos, só um filme, Quem Quer Ser Um Milionário?, de Danny Boyle, ganhou o Globo de Ouro e o prêmio da Academia de Hollywood. Nem por isso os Globos de Ouro deixam de ser importantes. Os prêmios valem por si só. Dificilmente, os indicados e vencedores de hoje não participarão da disputa do Oscar (a maioria, pelo menos). Se vão bisar os prêmios, será preciso esperar para ver.

Como sempre, o Globo de Ouro contempla produções para TV e cinema. Entre as últimas, os concorrentes dividem-se em duas grandes categorias - drama e comédias ou musical. O Oscar não contempla essa divisão, o que significa que filmes, atores e roteiristas de ambas poderão concorrer juntos.

Como a maioria dos filmes ainda não estreou - a temporada de lançamento do Oscar no Brasil começa mais para o fim do mês e em fevereiro -, você pode apostar no escuro ou seguir os prognósticos do crítico do Estado.

Por exemplo, melhor ator de drama. Jesse Eisenberg é excepcional e ganhou o prêmio dos críticos de Nova York por A Rede Social, de David Fincher, mas as chances de Colin Firth são maiores. Em O Discurso do Rei, ele não apenas interpreta um personagem real, no sentido de que existiu, e aristocrático - o pai de Elizabeth II -, como o rei era gago, o que cria para o intérprete o tipo de tour de force que o Globo de Ouro e a Academia adoram recompensar. Há mais - Colin Firth foi preterido no Oscar passado por sua genial criação como o gay de Direito de Amar, de Tom Ford. Se ele não levar o Globo de Ouro desta noite, pode aguardar que o Oscar será dele. Não propriamente um azarão, James Franco também cria um personagem real que sobreviveu a uma experiência terrível, no sentido de terror puro, em 127 Horas, de Danny Boyle. Não haveria o que reclamar, se ele levasse sua estatueta.

Como melhor atriz, o Globo de Ouro dificilmente deixará de coroar Natalie Portman. Sua interpretação em O Cisne Negro, de Darren Aronofsky, é magnífica e as que talvez venham a ser suas maiores concorrentes no Oscar ou não foram indicadas (Vittoria Mezzogiorno, por Vincere, de Marco Bellocchio) ou concorrem na categoria de melhor atriz de comédia (Annette Bening, por Minhas Mães e Meu Pai, de Lisa Cholodenko).

A disputa pelo melhor filme, categoria drama, reúne dois grandes filmes que o público brasileiro já viu - A Rede Social e A Origem, de Christopher Nolan -, mais um que só chega em fevereiro - O Cisne Negro, que é simplesmente o melhor Darren Aronofsky. Não pense que, por isso, os outros dois indicados são pouco atraentes. Para complicar, os críticos falam maravilhas de O Discurso do Rei, de Tom Hooper, e O Vencedor, de David O. Russell.

Quem leva? A Origem é uma raridade, o blockbuster cabeça, mas o anúncio de que Christopher Nolan trabalha no projeto do 2 talvez enfraqueça a candidatura. Os correspondentes estrangeiros de Hollywood muito provavelmente vão avalizar A Rede Social - a par de suas excepcionais qualidades como "cinema", o filme trata de questões sociais das mais relevantes.

Irregular. Os indicados para melhor filme, comédia ou musical, são mais irregulares. Descarte Burlesque, de Steve Anquin, e O Turista, de Florian Henckel von Donnersmarck, que só vão ganhar se os correspondentes tiverem enlouquecido em peso - todos eles. Minhas Mães e Meu Pai soma relevância social a boas qualidades (não grandes) como cinema. É uma aposta mais sólida do que Red - Aposentados e Perigosos, de Robert Schwentke, mas convém não subestimar o apelo de Tim Burton nem o extraordinário brilho visual de sua versão de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas.

O Globo de Ouro para melhor animação vai para... Toy Story 3? Por mais que o cinéfilo espere ouvir isso logo mais à noite, existem outros concorrentes de peso, ou melhor, todos os demais concorrentes têm peso - O Mágico, que estreou na sexta, Como Treinar Seu Dragão, Enrolados e Meu Malvado Favorito. Na categoria melhor filme estrangeiro, o espectador brasileiro pode torcer por O Concerto, de Radu Mihaileanu, mas também concorrem Biutiful, do mexicano Alejandro González Iñárritu, o russo The Edge, o italiano I"m Love e o dinamarquês In a Better World. O italiano tem cara de vencedor, mas O Concerto seria uma boa escolha. Sabem de uma coisa? Pode ser que o Globo de Ouro não seja mais a prévia do Oscar, mas este ano, especialmente, a academia dificilmente conseguirás fugir às indicações e, quem sabe, às escolhas dos cronistas estrangeiros.

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