Presídio feminino é cenário de "A Mancha Roxa"

Mais de 20 anos depois de ter escrito sua primeira peça, Barrela - cuja ação transcorria numa cela de presídio -, Plínio Marcos voltou ao tema - desta vez uma cela de carceragem feminina - em A Mancha Roxa. Escrito nos anos 80, o texto ganha uma montagem dirigida por Roberto Lage, que estréia amanhã no Centro Cultural São Paulo (CCSP).Na opinião do diretor, o retorno ao tema não resultou em repetição ou diluição. "Pelo contrário, considero A Mancha Roxa ainda mais contundente que Barrela." O ponto de partida da peça é o dignóstico da aids, detectada em uma das seis mulheres que dividem uma cela especial, destinada a presas com curso superior.A idéia surgiu para o autor após ter sido contratado para fazer uma campanha, nos presídios, sobre prevenção da doença. Curiosamente, a indicação do autor partiu dos presos. A convivência direta com os presidiários durante a campanha inspirou a peça. Apesar da intenção de discutir o tema da aids, nada mais distante do universo de Plínio Marcos do que uma peça de tese.Em A Mancha Roxa, o seu talento imprime tensão na relação entre as personagens, cada uma delas muito bem definida em seu perfil. Acusadas de homicídio, convivem Doutora - formada em enfermagem; Professora, acusada pelo amante de cumplicidade num assassinato; Santa, advogada, religiosa, que assassinou o marido; Linda, estudante de piscologia, e Isa, namorada de Linda e a primeira contaminada. E ainda Tita, uma ex-interna da Febem, presa comum, que só está na cela especial por proteção da carcereira."Além do caráter de denúncia da situação carcerária, mais evidente, o texto tem também um sentido metafórico, ao colocar em cena uma população marginalizada - excluída - que se organiza unicamente pela necessidade de sobrevivência. E essa organização acaba por ameaçar toda a sociedade." A Mancha Roxa. R$ 10,00. De quinta a sáb., 21h30; dom. 20h30. CCSP - Sala 4. Rua Vergueiro, 1.000,tel. 3277-3611. Até 17/6.

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