Presidente do Masp admite falta de recurso para segurança

À rádio CBN, Júlio Neves diz que não descarta participação de funcionários no roubo dos quadros do museu

REUTERS

21 de dezembro de 2007 | 16h18

O presidente do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Júlio Neves, admitiu nesta sexta-feira a falta de recursos da instituição para fazer uma segurança adequada. É a primeira declaração de Neves após o roubo de duas obras importantes do acervo, na madrugada da última quinta-feira, no pior incidente do tipo no País. Foram levados O Lavrador de Café (1939), de Cândido Portinari, e O Retrato de Suzanne Bloch (1904), de Pablo Picasso.   À rádio CBN, ele afirmou que não quer ser leviano, mas não descarta a participação de funcionários do museu no roubo dos quadros na madrugada da última quinta.   EXCLUSIVO: assista ao vídeo com imagens do roubo  Masp não tinha seguro para os quadros de Picasso e Portinari Ladrões roubam quadros de Portinari e Picasso do Masp Masp aciona Interpol, Itamaraty e PF para recuperar quadros Brasil é o quarto do mundo em roubo de obras culturais Blog do Daniel Piza: um roubo, uma crise e a tristeza  Veja galeria de fotos do roubo da Masp  Veja como foi o roubo no Masp  "Não tínhamos os recursos para poder fazer (a segurança). Agora, vamos atualizar. O que se pode fazer é sofisticar alguns equipamentos", disse Neves em um evento em São Paulo, de acordo com a assessoria de imprensa do museu. Sem dar detalhes, Neves afirmou que o museu deverá receber um novo aporte de recursos, via Lei Rouanet. A assessoria de imprensa do Masp afirmou que existe um projeto desde 2005 para modernização de toda instituição, incluindo segurança.   Neves, que é arquiteto e está na presidência do museu há mais de dez anos, comentou que poderia buscar na Europa novas tecnologias para segurança.   Neves também sustentou que o sistema de segurança se mostrou adequado e que o esquema de usar guardas era considerado o melhor possível. O presidente do museu acredita que as obras serão recuperadas e disse que as fronteiras estão em alerta para impedir saída dos quadros do País. Ele ainda se mostrou preocupado com a dificuldade que museus brasileiros vão enfrentar daqui para frente para convencer o exterior de que temos segurança para trazer e expor aqui obras de arte.Ele participou nesta sexta da assinatura de um convênio entre o governo de São Paulo e o Ministério da Cultura para implementação do programa Mais Cultura, que prevê investimentos de 4,7 bilhões de reais até 2010, em parceria com Estados e municípios.   RouboTrês homens invadiram o museu na madrugada de quinta-feira, segundo a polícia, sem usar capuz, em uma ação que durou apenas três minutos. Eles arrombaram duas portas do Masp até chegar à sala de exibição, da onde retiraram os quadros.O Masp informou que não possui alarmes e faz a segurança apenas com homens não armados e com um sistema de câmeras sem infra-vermelho. Foi o primeiro incidente do tipo em 60 anos de história do museu. A instituição sofreu uma tentativa de roubo em 29 de outubro. A polícia afirmou que outra tentativa aconteceu também na segunda-feira, mas o museu não registrou boletim de ocorrência e a assessoria de imprensa também negou a informação. A polícia acredita que as tentativas de roubo estão ligadas ao furto de quinta-feira. Além da polícia paulista, também estão no caso a polícia federal, o Itamaraty e a Interpol. Nesta sexta, a Interpol afirmou em seu site que alertou todos os seus 186 países-membros sobre o roubo das telas, para impedir que elas sejam comercializadas no exterior. O museu afirma que passou por uma "grande reforma" entre 1996 e 2000, ao custo de 20 milhões de reais, dos quais uma parte foi para a segurança. Até então, o Masp não possuía nem circuito de câmeras. O Masp possui um acervo de 8.000 obras, um dos maiores e mais importantes da América Latina, embora tenha passado por uma grave crise em anos recentes, que incluiu episódios de corte de energia, de telefone e fechamento para visitas devido à falta de luz.   (Por Fernanda Ezabella)

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