Presidente do MAM acusa Cid Ferreira de manipular direção da Bienal

Milu Vilela, presidente do Museu de Arte Moderna (MAM) e conselheira da Fundação Bienal de São Paulo acusou hoje Edemar Cid Ferreira, presidente da Associação Brasil 500 Anos, de estar "manipulando" a direção da Bienal de São Paulo. Segundo ela, Ferreira está precisando captar recursos para arcar com a itinerância da sua Mostra do Redescobrimento e, por esse motivo, teria convencido Carlos Bratke, presidente da Bienal, a adiar a 25.ª edição da mostra. Pedro Costa, assessor de imprensa de Edemar Cid Ferreira disse hoje que a associação não se manifestaria sobre a declaração de Milu Vilela. Segundo Costa, Ferreira considera que não tem qualquer papel na Bienal e seu compromisso é com o "Redescobrimento". Mas o próprio Bratke mostra que as decisões recentes das instituições estão ligadas de alguma forma. Segundo o arquiteto, houve reuniões entre ele, Ferreira e os conselheiros da Bienal para discutir a questão da captação de recursos. Ferreira montou uma mostra de R$ 40 milhões e precisa captar ainda muito dinheiro. "Eu não quero fazer uma Bienal ´mixa´", disse Bratke. "O Edemar não pediu nada disso, mas nós discutimos o assunto", ponderou o arquiteto. De acordo com ele, sua principal preocupação em relação à Bienal é fazer com que o prédio que abrigará a próxima mostra - transferida de 2001 para abril de 2002 - tenha "condições museológicas" para o evento. "Está claro que o Edemar não tem interesse na Bienal porque precisa fazer coleta de dinheiro extra para a itinerância da ´Mostra do Redescobrimento´", afirma Milu. "O Bratke a princípio era contra, mas parece que foi seduzido por algum privilégio que lhe foi oferecido", diz. O desacordo fez o presidente da Bienal demitir por carta, ontem, o curador da próxima mostra, Ivo Mesquita. Milu não aceitou a justificativa de que o prédio esteja em situação precária de segurança. "Bratke disse à Agência Estado que houve princípio de incêndio durante a Bienal de Arquitetura, mas nós nunca fomos comunicados disso", afirmou. "Se há risco de incêndio, as 5 mil criancinhas que o Edemar diz que põe lá todo dia correm perigo". Bratke anunciou que dará uma entrevista coletiva quinta-feira para mostrar o estudo técnico que apontou os problemas no prédio, feito pelo engenheiro Sérgio Rodrigues. Ele também disse que poderia "voltar atrás" na demissão do curador Ivo Mesquita. "Fiquei chateado", disse. "Mas ele tem de ser respeitoso: o cargo dele é burocrático, não artístico". Bratke disse que a idéia de Mesquita - que propôs uma mostra em espaços alternativos - não é razoável. "Juntos, a Oca e o Pavilhão Manoel da Nóbrega têm metade da área do Pavilhão da Bienal", ele disse. Críticas - A atitude de Bratke vem recebendo uma avalanche de críticas. O próprio presidente do Conselho da Bienal, Luiz Seraphico, afirma que ele é um "homem atormentado". "A Bienal é um espaço público e não cabe ao sr. Carlos Bratke manietar essa sociedade", afirmou. A presidente do MAM também criticou o poder que Ferreira vem exercendo na programação cultural das instituições do Ibirapuera. Ela o acusou de estar engendrando o que chama de "ditadura do Parque". E pede uma reavaliação das últimas decisões tanto da presidência quanto do conselho. "Se os homens do conselho forem sensatos e não tiverem interesses escusos, vão reavaliar isso". A demissão de Mesquita vem provocando reações por parte do meio artístico e cultural. Está sendo convocado para quinta-feira, às 19 horas, no restaurante do MAM, um encontro durante o qual será preparado um abaixo-assinado a ser entregue ao Conselho, pedindo uma revisão da decisão controvertida de adiar a mostra. "Essa situação é reflexo de uma visão autoritária e burocrática", afirmou Marcelo Araújo, diretor do Museu Lasar Segall.

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