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Presidente da Fundação Palmares ironiza Regina Duarte após ser chamado de 'problema' e 'ativista'

Em entrevista ao Fantástico, Regina Duarte disse que Sérgio Camargo, para quem não existe racismo no Brasil, é um problema que ela está adiando

Mateus Vargas, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2020 | 08h51
Atualizado 09 de março de 2020 | 14h37

Presidente da Fundação Palmares, o jornalista Sérgio Camargo ironizou declarações da nova secretaria Especial da Cultura, Regina Duarte.

"Bom dia a todos, exceto a quem chama apoiadores do Bolsonaro de facção e o negro que não se submete aos seus amigos da esquerda de 'problema que vai resolver"', escreveu Camargo, nesta segunda-feira, 9, nas redes sociais.

O jornalista já causou repúdio no movimento negro por falas como que há um "racismo nutella" no Brasil.

Em entrevista à TV Globo exibida no domingo, 8, Regina Duarte disse que Camargo é um "ativista" e o classificou como um "problema" para a sua gestão.

"Voltamos a uma situação de uma pessoa que é um ativista mais do que um gestor público. Estou adiando o problema. Eu quero que baixe um pouco a temperatura", disse, ao ser questionada se manteria o jornalista à frente da fundação.

Camargo disse ao Estado, na última semana, que Regina pediu a sua demissão, mas o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, negaram. "Regina quer abrir diálogo com o movimento negro. Digo que é ingenuidade, para ser gentil", disse Camargo. "Desejo que ela faça uma grande gestão", completou.

Levado pelo ex-secretário Roberto Alvim ao governo, o jornalista caiu nas graças do presidente Bolsonaro após forte repercussão de suas declarações.

Camargo chegou a ser impedido pela Justiça de assumir o cargo, mas a decisão foi revertida após recurso do governo. 

No período de "namoro" de Regina com o governo Bolsonaro, cresceu a sensação de "divisão" dentro da secretaria, segundo integrantes da pasta. 

A divisão se escancarou após a posse da atriz, que demitiu da pasta integrantes do movimento conservador e seguidores do escritor Olavo de Carvalho.

A atriz foi criticada nas redes sociais por apoiadores do governo. Camargo foi um dos poucos aliados de Alvim que permaneceu na pasta.

A equipe levada por Alvim ao governo passou a apontar como "esquerdistas" nomes ligados à atriz. Tentaram tentaram ainda emplacar o discurso que eram eles os "técnicos" da pasta, enquanto os aliados de Regina eram "ideológicos".

Segundo fontes que acompanham a transição na Cultura, a atriz irá nomear como “número 2” da pasta o ator e produtor teatral Humberto Braga. O nome de Braga é o principal alvo de ala que considera a gestão da atriz pouco alinhada com valores conservadores. 

Olavo de Carvalho também reage à entrevista de Regina Duarte

O escritor, professor e guru conservador Olavo de Carvalho não gostou da entrevista de Regina Duarte. Nela, a atriz e atual secretária especial de Cultural fala que está tendo de enfrentar uma 'facção' em Brasília. Em um de seus posts nas redes sociais, ele escreve Regina Duarte "não está boa da cabeça".

"A Regina Duarte age como se o seu emprego no governo lhe pertencesse por direito natural contestado apenas por "uma facção bolsonarista", quando na verdade foi essa facção, representada pelo presidente da República, quem lhe deu o emprego.

A óbvia inversão psicótica da realidade mostra que a véia não está boa da cabeça e não deve ocupar cargo nenhum", escreve Olavo de Carvalho no Facebook alternando posts sobre a polêmica envolvendo Dráuzio Varella e a presidiária trans Suzi Oliveira e a entrevista da secretrária da Cultura.

Na sexta-feira, 6, Olavo de Carvalho já havia manifestado seu arrependimento por ter sugerido o nome da atriz para o cargo na Secretaria Especial da Cultura dizendo que o posto estava "acima de sua capacidade".

Já o ator de deputado federal Alexandre Frota, também nas redes sociais, questionou como fica o cinema nacional. Na mesma entrevista ao Fantástico, ela disse que não se deve fazer filmes para as minorias com dinheiro públi. "A pergunta é: como fica o cinema nacional? Regina Duarte está sendo extremamente ideológica, pautada por Bolsonaro. E esse tipo de declaração não é a mais correta á ser feita por uma secretária de cultura. Estamos vivendo a cultura da ideologia!", escreveu.

Frota também cobrou a apresentação de um "plano cultural".

Regina Duarte tomou posse como secretária especial da Cultura na quarta-feira, 4, sem grande apoio da classe artística e sob ataque de eleitores de Bolsonaro, que se manifestaram usando a hashtag #ForaRegina.

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