Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Presidente da Funarte divulga carta sobre protestos contra a instituição

Na última segunda-feira, cerca de 500 artistas fizeram um protesto no centro de São Paulo

estadão.com.br,

27 de julho de 2011 | 20h01

O presidente da Funarte, o ator Antonio Grassi, divulgou nesta quarta-feira, 27, carta sobre os protestos de setores da classe artística ocorridos no começo da semana. Na segunda-feira, 25, artistas ligados ao teatro se reuniram em frente ao prédio da Funarte, no centro de São Paulo, para protestar contra políticas públicas de financiamento dos programas culturais e contra o corte orçamentário do Ministério da Cultura (Minc), que teria passado de R$ 2,2 bi para R$ 800 milhões. Cerca de 500 pessoas participaram da manifestação.

Entre os temas levantados pelos manifestantes está a criação de programas como o Prêmio de Teatro Brasileiro. A proposta tramita atualmente no Congresso, dentro do escopo do ProCultura, projeto de lei 6.722 que institui um programa nacional de fomento e incentivo à cultura.

A Cooperativa Paulista de Teatro lançou um manifesto em que pede "programas estabelecidos em leis com orçamentos próprios; programas que estruturem uma política cultural contínua e independente, imediata publicação dos editais, o fim da política de privatizações e sucateamentos dos equipamentos culturais, o fim das leis de incentivo fiscal, o fim da burocratização dos espaços públicos".

Leia a íntegra da carta.

Movimento de Trabalhadores na Cultura

A luta por mais verbas para a cultura é de extrema importância. Deve ser uma luta de todos os artistas, produtores, técnicos, gestores, enfim, de toda a sociedade brasileira. Ao longo da minha vida, seja como artista, seja como homem público, sempre empunhei esta bandeira. Da mesma forma, mantive postura inflexível na defesa da liberdade, da democracia e dos movimentos populares.

É com tal espírito que a manifestação convocada por segmentos artísticos de São Paulo foi encarada por mim e pela Ministra Ana de Hollanda: os portões da Funarte foram mantidos abertos, a força policial não foi convocada e, desde o primeiro momento, nos declaramos dispostos ao diálogo.

Os principais pontos expressos no manifesto, como as PEC's 150 e 236 e o Prêmio Teatro Brasileiro encontram-se em discussão no Congresso Nacional. É importante que o debate extrapole os limites dos artistas e fazedores de cultura e chegue aos mais amplos setores da sociedade. Protestos legítimos auxiliam neste processo.

Entretanto, quero ressaltar algumas atitudes que não parecem coadunar com o espírito da luta comum dos artistas brasileiros. Cerrar os portões da Funarte - com correntes e cadeados - ofende nossa história de luta pela liberdade. Impedir o acesso de servidores públicos - ou expulsá-los sob ameaça das dependências da Funarte - relembra momentos terríveis de nosso passado não muito distante. Impedir que artistas, escolhidos por processos públicos para ocupar as salas da Funarte, exerçam a sua profissão não é aceitável sob nenhum aspecto. Impedir o andamento de Editais que estão sendo julgados e que favorecerão a própria classe artística é atirar contra o próprio pé. São fatos que, ao invés de atrair simpatizantes para a causa da cultura, dividem e isolam os movimentos.

Reitero a ampla disposição para o diálogo com os movimentos populares, conforme orientação da Presidenta Dilma, da Ministra Ana de Hollanda, e de acordo com a minha própria história de vida. É o único caminho possível para que a Cultura Brasileira seja finalmente colocada no patamar que merece.

Antonio Grassi

Ator e Presidente da Funarte

 

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