Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Presidencialismo

Apareceu a hiena com seus filhos, com a risada sociopata, arruinando a paz da floresta

Marcelo Rubens Paiva, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2021 | 03h00

Estamos a um ano da eleição. O brasileiro tenta, acerta, erra, tem chances de, a cada quatro anos, consertar. 

Começou medonhamente votando na farsa criada por duas empresas de comunicação, quando ainda eram relevantes. Que decidiram se apropriar do poder e alavancar um nada, obscuro caçador de marajás, dopado aye-aye, lêmur de olhos esbugalhados que, como governador de Alagoas, demitiu uns altos salários e só. 

O jovem daquilo roxo não piscava. No primeiro ato, empobreceu os brasileiros, impedindo-os de pôr a mão no próprio dinheiro. Abriu fronteiras para indústria estrangeira, falindo com a nossa. Foi a República da ganância Hermès com Logan, esmurrada num impeachment.

O eleitor recorreu aos universitários. Veio a USP, acadêmicos, arrogância dos que estudaram problemas sociológicos e sabiam, na teoria, como resolvê-los. Na teoria. Subsidiou-se a moeda. Dólar valia R$ 1. Brasileiro ia para fora e achava tudo de graça. Uma graça: sentia pena dos baixos salários de estrangeiros. 

Privatizou a economia. Piratas entraram em estatais e espoliaram para orientandos. O dólar não valia R$ 1. Uma farsa estratégica para baratear o custo de vida. Na real, o real era uma moeda irreal. Deram um golpe de Estado, inventando um segundo mandato. Até cairmos na real. Empresas endividadas quebraram o País.

O eleitor recorreu ao trabalhador. Ele conhecia a pobreza na pele e estômago, não nos tratados. Surpresa: bateu continência ao FMI e inovou a cartilha, seguindo uma intuição arrojada, salário mínimo acima da inflação, que gerou distribuição de renda, bolsa família, que aumentou o consumo e diminuiu a fome, investimento maciço onde precisava e crédito barato. Subsidiou material de construção, ensino universitário e linha branca. 

Foi chamado de o cara! Indicaram para o Nobel. O preço das commodities em alta era um aliado. Acharam petróleo no fundo do nada. Veio a crise financeira de 2008. Intuição virou gastância. É marolinha? Era para reduzir, engatou a quarta. Governabilidade como um polvo, agarrou o que poderia ser corrompido. O cara fez vistas grossas e cometeu seu segundo maior erro: a sucessora.

Ela ligou o motor turbo, num mundo em recessão, traiu a base, o partido, achou que sozinha tinha a pedra filosofal. Jogou a culpa da corrupção em outros. Sofreu um golpe daqueles que não deveria ter ignorado. Veio o caos. Apareceu a hiena com seus filhos, com a risada sociopata, dilacerando instituições, jogando migalhas a corvos, arruinando a paz da floresta. Falta um ano para a eleição. 

É ESCRITOR E DRAMATURGO, AUTOR DE ‘FELIZ ANO VELHO’

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