Presente e passado nas peças do Wooster Group, de NY

Algum lugar entre o teatro e o cinema, entre a memória e o efêmero. É nessa intersecção que se coloca o Wooster Group, afamado coletivo de Nova York que vem à cidade para apresentar dois espetáculos: Hamlet, de Shakespeare, e Vieux Carré, de Tennessee Williams.

AE, Agência Estado

14 de março de 2013 | 09h45

Representante do cenário off-Broadway, o Wooster tornou-se conhecido pela maneira como interage com outras linguagens, em especial a cinematográfica, em suas montagens. "Estou usando técnicas do filme para revigorar o teatro. É difícil saber se isso realmente contribui com alguma coisa, mas é muito divertido", diz a diretora e fundadora do grupo Elizabeth LeCompte. Além dos espetáculos, a mostra que acontece no Sesc Pompeia prevê uma seleção de filmes e registros realizados pela companhia.

Em Hamlet, que o público assiste de hoje a domingo, LeCompte mescla suportes e tempos. Integra, à performance dos atores, trechos filmados de uma outra montagem da clássica história do príncipe da Dinamarca. Dirigida por John Gielgud, a produção da Broadway estreou em 1964 e era protagonizada por Richard Burton. Foi gravada, ao vivo, de 17 ângulos por câmeras diferentes. Editada como um filme, estreou nos cinemas e significava, àquela época, uma nova maneira de observar o teatro.

Em sua versão, o Wooster Group empreende o processo contrário: reconstrói o espetáculo a partir do filme. Tenta reproduzir, com a máxima fidelidade, os movimentos e a interpretação daquela peça perdida no tempo. "Nossa concepção surgiu de uma conversa com essa criação anterior. A relação entre o nosso Hamlet e a produção de 1964 é como se fosse um relacionamento entre Hamlet e seu pai. É um fantasma que devemos obedecer e deixar para trás", observa LeCompte.

O espetáculo aprofunda a investigação da companhia sobre a condição de efemeridade inerente ao teatro. Tentativas semelhantes já haviam sido feitas em suas criações anteriores. Em 2003, eles remontaram As Três Irmãs, de Chekhov, fazendo explícitas menções a uma montagem do mesmo texto feita 20 anos antes. "Quando trabalho, não estou tão preocupada com o resultado", comenta a encenadora. "Mas tentando entrar em contato com alguma coisa que já se foi, que está partindo, escapando, assim como acontece na memória. Minha vontade não é só capturar essas coisas, e sim vê-las uma a uma, estar dentro delas ou hospedá-las em mim."

A relação com a memória e sua fragilidade se espraia para a outra produção que o Wooster encena aqui. Entre os dias 22 e 24, o público terá a chance de acompanhar Vieux Carré: apropriação que o grupo faz do texto de Tennessee Williams.

HAMLET - Sesc Pompeia. R. Clélia, 93, 3871-7700. 5ª a sáb., 20 h; dom., 19 h. R$ 24. Até 17/3 - www.sescsp.org.br/SESC/

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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