Presente e futuro da sinfônica brasileira

Presidente da Fundação OSB fala do projeto para levar o grupo a um patamar de qualidade internacional

Eleazar de Carvalho Filho, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

A OSB completou 70 anos de atividades ininterruptas em 2010. Passamos por diversas fases, algumas grandiosas, outras mais difíceis, mas sempre honrando o legado daqueles que em 1940 a fundaram. Nos últimos cinco anos, a OSB deu um salto de qualidade artística e atingiu uma estabilidade financeira que nos possibilita, hoje, sonhar mais alto, intensificando o processo de qualificação artística de nosso corpo orquestral e ampliando os projetos para a formação de novos públicos e músicos. Queremos que a OSB seja comparada às importantes orquestras internacionais e vire referência em excelência musical no Brasil. Trata-se de um trabalho árduo e complexo, que será realizado ao longo dos próximos cinco anos.

No início do ano, anunciamos que todos os músicos passariam por avaliações de desempenho, que serviriam como elemento adicional ao processo de avaliação que já ocorre no dia a dia, em ensaios e apresentações. Não possuem nota de corte nem são demissionárias, como deixamos claro para os músicos desde o início. Além fornecer um feedback individual, o processo também ofereceria a cada músico a possibilidade de reposicionamento dentro dos naipes.

Durante a negociação com a Comissão de Músicos e com o Sindicato de Músicos do Rio de Janeiro, um grande esforço foi feito para atender às demandas solicitadas, tais como a redução do repertório das avaliações e alteração nos prazos e benefícios do Programa de Demissão Voluntária. Ainda assim, o Sindicato dos Músicos ajuizou ações judiciais contra a OSB, perdendo em primeira e segunda instâncias. Além disso, alguns músicos passaram a difamar e a denegrir a reputação da Fundação OSB no Brasil e no exterior, com base em informações inverídicas, causando sério dano à imagem da instituição.

A Fundação OSB está dando um importante passo rumo ao crescimento da instituição, oferecendo a seu corpo orquestral condições cada vez melhores de trabalho. A remuneração dos músicos, que era de R$ 2.200,00 em 2005, alcançará valores acima de R$ 9.000,00 a partir de julho de 2011, ou seja, 50% a mais do que os atuais, de acordo com o número de concertos de que cada músico participar. Tal crescimento transforma a remuneração de nossos músicos em uma das maiores na América Latina, sendo motivo de orgulho para a Fundação e declaração irrefutável de respeito pelo corpo orquestral.

Lamentamos que nem todos os músicos compartilhem desta visão sobre o futuro da OSB. E para eles apresentamos o Programa de Demissão Voluntária. O eventual desinteresse em seguir neste rumo, no entanto, não justifica pôr em risco a própria instituição que tanto ajudaram a construir. Os colaboradores da OSB, instituição privada, estão sujeitos ao cumprimento das normas e diretrizes da Orquestra, sob a égide da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) e atos de insubordinação são passíveis de punição.

Temos hoje 35 músicos que já estão de volta à sua rotina de ensaios, visando ao início da temporada em agosto e às apresentações de câmara, e 6 que terão suas avaliações remarcadas para abril. Em maio, teremos audições no Rio, em Nova York e Londres, todas com um bom número de inscritos e que servirão para preencher vagas em aberto. Sabemos que o conjunto terá de ser construído com base nesses músicos que estão olhando para o futuro da OSB, e temos plena confiança de que vamos constituir um grande corpo orquestral. Precisamos de uma instituição que esteja disposta a responder aos desafios e que conte com instrumentos de gestão e diálogo que façam com que a OSB realmente evolua e chegue ao patamar por todos desejado.

ELEAZAR DE CARVALHO FILHO É PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO OSB

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