Prêmios para a boa forma

Linhas simples marcam objetos criados pelos 38 vencedores

ANTONIO GONÇALVES FILHO, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h21

Criado em 1986, o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira chega à 26.ª edição com um número recorde de inscrições, 867, dobro da média dos últimos cinco anos. Ontem, foram divulgados os premiados, cujos objetos podem ser vistos até 13 de janeiro no museu (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705, tel. 3032-3727). O prêmio reuniu no júri 46 profissionais reconhecidos do design e da arquitetura, que escolheram os 57 finalistas e os 38 premiados nas categorias mobiliário, utensílios, iluminação, têxteis, equipamentos eletroeletrônicos, de construção e transportes, além de trabalhos escritos.

Coordenado pelo designer e professor da Escola Superior de Desenho Industrial da Uerj, Freddy van Camp, o júri do prêmio Design MCB privilegiou produtos que incorporam novas tecnologias, adotam padrões internacionais de acabamento e estão de acordo com as normas de proteção ambiental. Foram concedidos R$ 6 mil para o primeiro lugar de cada categoria e R$ 2 mil para o primeiro lugar de cada modalidade protótipo. Serão oferecidas, por meio de sorteio entre os finalistas e premiados, duas bolsas de estudos em cursos internacionais de design, entre julho e agosto de 2013, na Domus Academy ou Nuova Accademia Belle Arti Milano, de Milão.

A interação entre os processos industrial e artesanal marcou os premiados da categoria têxtil. O primeiro lugar, Franja, da designer Bia Martinez, reúne elementos de tecelagem e arte plumária indígena. Feito no tear jacquard com programação eletrônica, esse tecido confeccionado industrialmente aponta um novo caminho para o setor. Na categoria utensílios, o cadeado Node, design do trio Alessandro Vassalo, Juliana Callia e Luiz Romero para a Papaiz Nordeste, ficou em primeiro lugar, apresentando novidades como o sistema de fechamento por meio de um cabo de aço flexível que envolve o objeto a ser protegido. Na linha de equipamentos de transporte, a cadeira de rodas Superia, de Cristiano Godinho Barony, foi escolhida por sua leveza e conforto. Dos equipamentos de construção, os interruptores da linha Nereya, da Pial Legrand, receberam menção honrosa por sua facilidade de instalação.

Primeiro lugar entre os protótipos de utensílios, os óculos Aram, criados por Maycon Eduardo Passos de Melo, são confeccionados com madeira certificada protegida contra umidade e fungos. Na área de mobiliário, o designer Jader Almeida, da Sollos, foi o vencedor com a mesa Dinn, de linhas minimalistas feita em placas de MDF revestidas de lâmina de madeira. Com mais de 3 metros de comprimento e pés removíveis, a mesa acomoda até 14 cadeiras. Entre os protótipos de mobiliário, ganhou menção honrosa uma estante de roupas da dupla André Pedrini e Ricardo Freisleben Lacerda, móvel para pequenos espaços que permite rápida montagem.

Dos equipamentos eletroeletrônicos, o Titan da Wap ficou em primeiro lugar. Design assinado pela Megabox Design, o diferencial de seu projeto está no chassi monobloco em plástico injetado. Na área de iluminação, o primeiro lugar foi conferido à linha de abajures Vinte2, criada em comemoração aos 90 anos da Semana de Arte Moderna de 1922 pelo designer Fernando Prado, da Lumini, que criou com a série uma ponte com o passado modernista paulista. Entre os ensaios publicados sobre design, o livro escolhido foi Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil (Cosac Naify), estudo denso sobre a evolução da linguagem gráfica desde o século 19, assinado pela dupla Elaine Ramos Coimbra e Chico Homem de Melo.

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