Antonio Santana/Divulgação
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Prêmio SP consagra Daniel Galera e novatos

Jacques Fux e Paula Fábrio dividiram categoria estreante em edição que elegeu 'Barba Ensopada' melhor romance

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2013 | 02h24

Daniel Galera venceu, na segunda-feira, o Prêmio São Paulo de Literatura, promovido pelo governo do Estado. Seu livro Barba Ensopada de Sangue (Companhia das Letras) foi considerado o melhor romance publicado no Brasil em 2012 e desbancou O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam, de Evandro Affonso Ferreira, prêmio Jabuti, entre outras obras. Galera, de 34 anos, que ganhou R$ 200 mil, não foi à cerimônia de premiação, realizada no Museu da Língua Portuguesa.

Em sua sexta edição, o prêmio desmembrou em duas a categoria autor estreante este ano. Jacques Fux, com Antiterapias, ganhou na de estreante com menos de 40 anos. Paula Fábrio, autora de Desnorteio, na de estreante com mais de 40 anos. Cada um levou R$ 100 mil. Os livros saíram em diminutas tiragens de 500 exemplares e foram editados, respectivamente, pelas independentes Scriptum, de Minas, e Patuá, de São Paulo.

Barba Ensopada de Sangue é o sexto livro de Galera (foto), que nasceu em São Paulo, em 1979, e cresceu em Porto Alegre. E é seu quarto romance - e o de maior fôlego e sucesso internacional. Com os direitos vendidos para mais de dez países, o livro retrata o cotidiano de um professor de educação física que se estabelece numa cidade praiana catarinense na tentativa de desvendar a misteriosa morte do avô.

"Trabalhei sozinho, sem mostrar o original a ninguém, e suspeitava que esse era uma obra pessoal e hermética, que talvez tivesse dificuldade em encontrar um público. Me enganei, pois o livro foi bem recebido. O prêmio é mais uma evidência de que o romance faz sentido para vários leitores e é capaz de instigá-los e envolvê-los, e isso é muito gratificante para mim", disse o escritor, que investiu cerca de quatro anos na produção e escrita do título.

Este não é o primeiro prêmio importante do autor, mas é o de valor mais alto. "A forma mais inteligente de aproveitar uma premiação como essa é investir nas condições para continuar se dedicando à escrita, e é isso que pretendo fazer com meu prêmio, depois de aplicar um pequeno porcentual dele no bom e velho hedonismo", conclui. Os dois outros vencedores, pesquisadores acadêmicos bolsistas, também pretendem investir na carreira.

Paula Fábrio, de 43 anos, que já foi livreira e gerente de acervo da Biblioteca São Paulo, dedica-se, agora, a um mestrado em literatura na USP e conclui seu segundo livro, que mistura literatura e viagem. Desnorteio, sua obra premiada, discute questões sociais e psicológicas ao contar a trajetória de três irmãos que viraram mendigos no interior paulista na segunda metade do século 20. "É a história dos meus tios. Parti de um ponto real e ficcionalizei o restante", conta.

O mineiro Jacques Fux, de 36 anos, faz pós-doutorado, estuda literatura, trauma e as representações artísticas na era pós-testemunho do holocausto. É também pesquisador-visitante em Harvard, e explica seu Antiterapias: "Meu livro é uma autoficção em que faço uma brincadeira com a própria literatura. Há muita história e misticismo judaico. Brinco que é uma releitura contemporânea do Complexo de Portnoy, de Philip Roth". No livro, um judeu busca um lugar no mundo enquanto rememora seus 33 anos de vida. Com a indicação ao prêmio, Fux, que em 2011 publicou a não ficção Literatura e Matemática: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o Oulipo, passou a acreditar mais na sua carreira de ficcionista e contratou Luciana Villas-Boas como agente literária.

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