Prêmio Shell consagra "Pólvora e Poesia"

O espetáculo Pólvora e Poesia sagrou-se na noite desta segunda-feira o grande vencedor da edição paulista do Prêmio Shell de Teatro, conquistando três troféus centrais dos nove em jogo: direção, para Márcio Aurélio; autoria, para Alcides Nogueira; e ator, para Leopoldo Pacheco, que ainda dividiu o prêmio de figurino com Gabriel Vilela por outro espetáculo, Gota D?Água.Emocionado, Márcio Aurélio frisou a importância de vencer o Shell e antecipou uma agenda cheia para 2002. Além de organizar uma turnê nacional de Pólvora e Poesia, passando novamente por São Paulo e Rio, o diretor pretende remontar Lua de Cetim, também de Alcides Nogueira, estuda um novo projeto em parceria com Ruth Escobar - depois de Os Lusíadas - e ainda quer dirigir um monólogo estrelado por Leopoldo Pacheco. A noite foi também do Grupo Galpão. Com Um Trem Chamado Desejo, a companhia mineira venceu duas categorias: cenário, para Márcio Medina, e música, para Tim Rescala. Rodolfo Garcia Vasquez ficou com o prêmio de iluminação por Sapho de Lesbos, e na categoria especial, venceu o projeto Ágora Dramaturgia.Por Os Órfãos de Jânio, de Millôr Fernandes, e Major Bárbara, de Bernard Shaw, Eduardo Tolentino e seu grupo Tapa lideravam o número de indicações ao Shell - um total de sete - mas acabaram levando apenas um troféu, o de melhor atriz, para Clara Carvalho.Homenagens - Em sua 14.ª edição, o Shell de Teatro voltou a ter sua cerimônia de premiação realizada no restaurante Cantaloup, no Itaim, zona sul da cidade, com uma festa organizada para cerca de 220 pessoas, mas que, concorrida, acabou recebendo cerca de 300 pessoas. O evento foi comandado pela atriz Leona Cavalli, num sensualíssimo vestido preto do estilista Caio da Rocha.Vencedora da última edição do Shell, por Toda Nudez Será Castigada, e atualmente em cartaz com Um Bonde Chamado Desejo, Leona abriu a noite celebrando a união da classe artística e fez, como preâmbulo ao anúncio dos vencedores, um poético elogio das diversas atividades envolvidas no teatro: direção, iluminação, cenografia etc. Coube a ela também anunciar as duas homenagens da noite: à ex-jurada do Shell Maria Lúcia, morta recentemente, e ao movimento Arte Contra a Barbárie, fundado há cerca de três anos no Teatro Oficina.O Prêmio Shell repetiu este ano os valores pagos no ano passado: R$ 8 mil reais para os vencedores de cada categoria, contra R$ 3,5 mil em 2000, além do troféu criado pelo artista italiano radicado em São Paulo Domenico Calabrone, morto em 1999. À frente da organização do prêmio há quatro anos, a gerente de desenvolvimento sustentável da Shell, Simone Guimarães, ressalta a característica do Shell de Teatro de apostar no novo, de reconhecer talentos, e a importância para a empresa de garantir a continuidade daquele que é considerado o último grande prêmio do teatro nacional, cujo júri, este ano, foi formado por Beth Néspoli, de O Estado de S. Paulo, Aimar Labaki, Celso Curi, Maria Lúcia Candeias e Silvana Garcia.Rio - A edição carioca do prêmio será realizada no Hotel Sheraton nesta terça-feira, com uma festa duas vezes maior que a de São Paulo: são esperadas até 600 pessoas. Entre os espetáculos que disputam suas principais categorias estão South American Way, de Miguel Falabella e Maria Carmen Barbosa, Da Arte de Subir em Telhados, de Paulo de Moraes e Maurício Arruda, Rei Lear, com cenário de J.C. Serroni, e Trainspotting, com direção de Luiz Furlanetto. No Rio, a homenagem será prestada ao ator Jorge Dória.

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