Prêmio prestigia cartunistas desde 1974

Criado em 1974, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba destina-se a incentivar a descoberta de novos talentos do humor gráfico e das histórias em quadrinhos. Participaram da sua primeira edição gente como Millôr Fernandes, Jaguar, Ziraldo, Henfil, Luis Fernando Verissimo, Paulo e Chico Caruso, Angeli e outros.Considerado um dos salões mais importantes do mundo no universo das artes gráficas, da indústria editorial e das HQs, o salão premia trabalhos nas categorias caricatura, charge, cartum e histórias em quadrinhos, além do Prêmio Internet, em que o público constitui um júri popular interativo, por meio da votação via Internet.O evento começou como uma mostra local, mas há 15 anos ganhou projeção internacional. Os temas predominantes na primeira década de existência do salão eram aqueles que criticavam a ditadura militar vigente no País. A abertura política prometida pelo então presidente João Figueiredo, as Diretas Já!, os vários planos de estabilização econômica, a preocupação recente como a ecologia, a política interna, a Copa do Mundo, o meio artístico e a violência social e urbana eram os temas retratados.A idéia de se criar o então Salão de Humor começou em Piracicaba, em fevereiro de 1974. Em pleno carnaval, os jornalistas Alceu Marozzi Righeto, Carlos Colonnese e o jovem Adolpho Queiroz cumpriam a pauta inusitada de entrevistar os jurados do carnaval de rua da cidade, à época tido como um dos mais destacados do interior de São Paulo. Uma conversa com o jornalista José Maria Prado, do então Última Hora sobre carnaval e cultura, foi o início de uma idéia.O carnaval, a censura política e a perspectiva de política no cenário local instigaram Alceu, Carlos e Adolpho a encaminhar uma proposta de viabilização do Salão de Humor de Piracicaba ao então Secretário Municipal de Turismo, Luiz Antonio Lopes Fagundes, que destinou recursos para o Salão. Eles então voltaram ao jornalista Zé Maria, que se incumbiu de levar o projeto a Zélio Alves Pinto. Zélio é quem poderia abrir as portas de O Pasquim, no Rio, e convidar os papas do humor para a aventura piracicabana.No seu ateliê, Zélio abriu um compasso, fincou uma das pontas em Piracicaba e começou a traçar círculos que iam se ampliando, mostrando o projeto como possibilidade de irradiação de uma alternativa cultural. Transformado em padrinho do salão, aceitou fazer o cartaz do primeiro.Segundo Pinto, o salão ?conseguiu trazer o trabalho de cartunistas e formatar o que seria a grande força de resistência à ditadura vigente no País?. As articulações prosseguiram e em agosto daquele ano, mês de aniversário da cidade, o 1.° Salão de Humor de Piracicaba foi aberto com a presença dos pasquinianos ilustres e da nova geração dos cartunistas brasileiros, no prédio em que funcionava o Banco Português. Zélio esteve à frente do salão por muitos anos. Hoje, ele está sendo dirigido por Maria Ivete Araújo.

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