Prêmio para artistas celebrados

Anna Maria Maiolino e Paulo Nazareth exibem no Masp obras escolhidas por júri internacional

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h07

Afecções, palavra que a artista Anna Maria Maiolino escolheu para título da exposição que ela inaugura hoje no Masp, tem um sentido amplo para abarcar motivações de cinco décadas de trajetória artística. "Estes trabalhos resultam do pensar, compreender e apreender as coisas do mundo na tentativa de transformar o que vivemos em consciência, num movimento operacional poético da conduta", define Anna Maria Maiolino no texto que criou para apresentar sua "exposição-instalação" com vídeos, filmes, fotografias, peças escultóricas e sonoras criados desde a década de 1970 e que celebram o fato de a artista ter vencido a primeira edição Prêmio Masp Mercedes-Benz de Artes Visuais.

Foi um ano intenso para Anna Maria Maiolino, principalmente, por sua elogiada participação na última Documenta 13 de Kassel, onde exibiu a instalação multidisciplinar Here&There em uma casinha típica alemã às margens do parque Karlsaue. A premiação homenageia sua carreira que é consagrada - demarcada tanto por questões políticas, quanto primordiais -, mas, ao mesmo tempo de forma nenhuma estagnada, sempre aberta a experimentações.

O júri do Prêmio Masp Mercedes-Benz de Artes Visuais, presidido pelo curador do museu, Teixeira Coelho, e formado pelo time internacional de curadores Chris Dercon, José Roca, Moacir dos Anjos e Paulo Herkenhoff, escolheu Anna Maria Maiolino por sua trajetória e Paulo Nazareth como talento emergente. Ela ganhou R$ 200 mil pela premiação, ele, R$ 70 mil, e ambos fazem uma exposição no mezanino do Masp para apresentar ao público suas obras. "De certa forma, são exposições performáticas, a minha e a do Paulo Nazareth, que colocam pensamentos em movimento", diz Anna Maiolino, que também lança hoje amplo livro editado pela Cosac Naify.

No caso da artista, que nasceu na Itália, em 1942, viveu na Venezuela nos anos 1950 e radicou-se no Brasil na década de 1960, ecos da ditadura, do "Estado de Exceção" (também título de uma escultura-sonora que remete a um calabouço), se fazem perceber de forma sutil ou mais direta em muitas de suas obras. "Para André Malraux, somente a arte resiste à morte", diz Anna Maiolino citando o escritor francês. Mas Estado de Exceção, com os sons das palavras "botas, fuzis, escuro", obra recente, foi motivada pela violência em São Paulo, como conta a artista. "Não é panfletário", conclui. Os filmes em super-8 que ela escolheu exibir no Masp também se referem ao uso de um meio que era "forma de resistência" na década de 70. Já o ovo, um signo característico nos trabalhos da artista, dizem sobre "questões entre os limites de vida e morte".

A raiz política de Paulo Nazareth, que nasceu em Governador Valadares (MG) em 1977, está em colocar questões como crítica ao circuito artístico e temas outros, como desigualdades, "raças" e "ideologia". Artista nômade e em ascensão, ele exibe fotografias, painéis e objetos de uma série já celebrada, Notícias de América (2012), na qual registra uma saga de mais de seis meses de "caminhadas e caronas" desde Minas aos Estados Unidos, afim de participar da feira de arte de Miami-Basel em 2011.

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