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Prêmio Nobel de Economia abre seminário em São Paulo

Professor em Harvard, Amartya Sen participa da edição 2012 do projeto Fronteiras do Pensamento

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2012 | 03h08

A escolha do prêmio Nobel de economia de 1998 causou frisson: afinal, foi o primeiro, em 30 anos, concedido a um trabalho voltado ao bem-estar social. E o eleito foi o indiano Amartya Sen, um dos idealizadores do Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH, elaborado pela ONU para avaliar as condições de vida da população nos diversos países. Aos 78 anos, professor em Harvard, Amartya Sen abre hoje a edição 2012 de São Paulo do projeto Fronteiras do Pensamento, na Sala São Paulo. Ao todo, serão oito palestras, que acontecerão também em Porto Alegre.

Sen fez pesquisas e estudos sobre a fome em Bangladesh, em 1974, e outras catástrofes na Índia e países do Saara (África). Suas pesquisas sempre foram centradas na economia das nações em desenvolvimento e no estudo das condições de vida das populações mais pobres do planeta.

Um de seus trabalhos mais conhecidos é um livro de 1981, Poverty and Famine: An Essay on Entitlement and Deprivation (Pobreza e Fome: Um Ensaio sobre Direito e Privação). Ali, Sen desafia o senso comum de que a falta de alimentos é a explicação mais apropriada ou mais correta para a existência de fome nos países pobres.

Com base no estudo de diversas catástrofes do gênero, ele demonstra que "as grandes fomes têm ocorrido mesmo quando o suprimento de alimentos não estava significantemente menor do que nos anos anteriores ao problema".

Parte de sua explicação para a fome em Bangladesh, em 1974, é que as enchentes no país aumentaram fortemente os preços dos alimentos, enquanto as oportunidades de trabalho para os trabalhadores rurais diminuíram, já que uma das safras não pôde ser plantada.

Em consequência desses fatores, a renda dos trabalhadores rurais caiu tanto que o grupo foi atingido desproporcionalmente pela fome que assolou o país naquele ano.

No início deste mês, entre os 12 e 15, Amartya Sen esteve em Berlim participando da reunião anual do Institute for New Economic Thinking (INET). Em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, o economista falou sobre a crise europeia e os reais desafios para unir política e economia que, segundo ele, é a principal causa da situação.

"A dívida pública na Europa precisa acabar, não há dúvidas nisso. Mas, eu acredito que o timing está errado. No momento, parece que a ordem oficial é acabar com as dívidas primeiro e estimular o crescimento depois. Para mim, isso é um grande erro", afirmou. "A história da economia mostra que as dívidas públicas são mais facilmente pagas em períodos de grande crescimento. Isso aconteceu no período após a 2ª Guerra e nos EUA, durante a administração Clinton. Ainda, na Suécia, nos anos 1990."

Para ele, é preciso ter uma visão mais ampla e integrada, mais do que a utilizada pelos economistas no passado. "Precisamos ver a totalidade das preocupações humanas, que os fazem querer uma economia saudável. O tipo de pensamento econômico que eu gostaria de ver presta mais atenção às questões da liberdade humana."

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