Prêmio a Philip Roth provoca saída de jurada

A autora e editora australiana Carmen Callil anunciou anteontem sua retirada do júri que concede o prêmio Man Booker International em protesto à escolha do americano Philip Roth como escolhido deste ano. "Não valorizo seu trabalho como escritor", justificou ela, em entrevista ao jornal inglês The Guardian. "Deixei claro que era contrária à sua inclusão na lista dos finalistas, pois era o único autor que eu não admiro."

, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

Roth competia com outros 13 escritores, como o libanês Amin Maalouf, o espanhol Juan Goytisolo, o britânico John Le Carré e a italiana Dacia Maraini. O Man Booker International é concedido a cada dois anos a um artista vivo pelo conjunto da obra escrita em inglês ou traduzida no idioma. E o escolhido recebe um prêmio no valor de 60 mil.

Entre os ganhadores, figuram nomes como o albanês Ismail Kadaré (eleito em 2005), o nigeriano Chinua Achebe (2007) e a canadense Alice Munro (2009). O anúncio ocorreu durante um festival de escritores, em Sydney, na Austrália.

Carmen Callil, fundadora da editora feminista Virago, criticou o autor de obras como O Complexo de Portnoy por sua falta de originalidade. "Ele escreve sempre as mesmas coisas em cada um de seus livros", afirmou.

Por outro lado, o presidente do júri, Rick Gekosky, justificou a escolha do escritor de 78 anos: "Durante mais de 50 anos, os livros de Philip Roth vêm estimulando, provocando e divertindo uma audiência enorme e cada vez maior".

Para Gekosky, a imaginação do americano não apenas modificou a noção da identidade judaica como também reanimou o gênero da ficção e não só nos Estados Unidos. "Sua carreira é impressionante, pois, mesmo atingido um nível elevado de excelência, ainda não conhece o declínio, que é natural em autores que passam dos 50 anos."

Roth declarou-se honrado pelo prêmio. "Um prazer especial na minha carreira de escritor é ter meu trabalho lido internacionalmente, apesar dos enfartes provocados pelas traduções", disse ele, em um comunicado. "Espero que esse prêmio atraia a atenção de leitores ao redor do mundo que ainda não estejam familiarizados com a minha obra."

O Man Booker International poderá reforçar também o nome de Roth entre os pretendentes a um Nobel de literatura. Questionado sobre o assunto pelo Estado, que o entrevistou em sua casa, em Connecticut (EUA), em julho do ano passado, uma de suas raras conversas com jornalistas, o escritor convidou a repórter Lucia Guimarães a ver seu jardim, repleto de árvores centenárias, para então responde: "Olhe em volta. Preciso de um Nobel quando tenho isso tudo?". / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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