Premiado 'Querô' mantém força da obra de Plínio Marcos

Filme adaptado de romance mostra história de um menino pobre que vive perambulando nas ruas de Santos

Reuters,

07 Setembro 2013 | 11h26

O diretor e roteirista Carlos Cortez não precisou fazer muitas modificações para filmar o romance Querô - Uma Reportagem Maldita, de Plínio Marcos, que estréia em todo o País nesta sexta-feira, 14. Embora o livro tenha sido escrito há mais de 30 anos, a situação do menor abandonado retratada por ele não mudou muito nessas décadas. Assista ao trailer de 'Querô'    Querô (Maxwell Nascimento) é um adolescente órfão, que vive de um lado para outro, perdido pelas ruas próximas ao porto de Santos. Filho de uma prostituta (Maria Luisa Mendonça), ele desconhece o pai. A mãe suicidou-se quando ele era bebê tomando querosene - daí o apelido do garoto. Depois de apanhar muito nas mãos da dona de uma pensão (Ângela Leal), ele foge.  O menino vive de expedientes e envolve-se em pequenos roubos. Quando vai parar na Febem, explode toda sua revolta contra o mundo e ele se transforma. Fora das grades, Querô encontra apoio em Gina (Claudia Juliana), que o leva a uma igreja evangélica, onde ele se apaixona pela sobrinha do pastor, Lica (Alessandra Santos). Porém, o rapaz vive num mundo marcado pelo determinismo e, por mais que tente fugir da marginalidade, não consegue.  Querô mostra um universo típico de Plínio Marcos, com criaturas solitárias, vivendo à margem e esquecidas por todos. São ladrões, traficantes e prostitutas que não têm perspectivas na vida. Cortez filma tudo isso com honestidade, sem nunca olhar com superioridade ou julgar esses personagens.  O destaque no elenco premiado é o protagonista Maxwell Nascimento, que foi selecionado numa oficina realizada com adolescentes e crianças pobres de cidades da Baixada Santista (SP). O trabalho com esses jovens teve uma repercussão tão positiva, que até hoje o projeto é mantido, com realização de cursos profissionalizantes e outras atividades. Rodado na região portuária de Santos, em Querô destacam-se a fotografia apurada de Hélcio Nagamine (Doutores da Alegria) e a montagem de Paulo Sacramento (O Prisioneiro da Grade de Ferro). O roteiro, co-escrito por Cortez, e Bráulio Mantovani (Cidade de Deus) e Luiz Bolognesi (Bicho de Sete Cabeças), mantém o que há de mais contundente da obra de Plínio Marcos. Desde sua primeira exibição pública, no Festival de Brasília no ano passado, Querô tem arrebatado prêmios. Neste, obteve os de melhor ator (Maxwell Nascimento), roteiro, direção de arte e som. No 17.º Cine Ceará, venceu os de melhor longa, ator e montagem e no 14.º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, melhor filme, ator, diretor, roteiro, direção de arte e produção. (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

Mais conteúdo sobre:
Quero Plínio Marcos Maxwell Nascimento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.