Prefeitura não renova contrato com grupos responsáveis por teatros

O Departamento de Teatro daSecretaria Municipal de Cultura de São Paulo não renovou ocontrato com a Cia. Pombas Urbanas, responsável pelo TeatroMartins Pena, na Penha, por meio do projeto Cidadania em Cena. Ocontrato não foi renovado também no Teatro Alfredo Mesquita, emSantana, mas, neste caso, por decisão do próprio Grupo dos Setee da Cia. Ocamorana, que ocupava o espaço com o projeto CidadeDentro, Cidade Fora. A decisão do diretor do departamento, Celso Frateschi,causou uma sensação de abandono nos 20 jovens do grupo MentesInsanas, formado pelo curso de teatro da Pombas Urbanas noMartins Pena, iniciado há seis meses. Nesta quarta-feira, às 20 horas, eles sobem ao palco pelaprimeira vez para apresentar a peça O Bacalhau Nosso de CadaDia. Amanhã é também o dia em que a companhia devolveoficialmente o teatro à Prefeitura. Em outubro, a secretariaconcedeu a ocupação dos teatros Alfredo Mesquita (Santana),Artur Azevedo (Mooca), Cacilda Becker (Lapa), Flávio Império(Cangaíba), Paulo Eiró (Santo Amaro) e Martins Pena (Penha) acompanhias selecionadas por meio de concurso público.Participaram do edital 143 grupos. Para desenvolver os projetos, que durariam seis meses,prorrogáveis por mais um semestre, cada companhia recebe umaverba semestral, que varia entre R$ 48 mil e R$ 60 mil. Osprojetos têm por objetivo abrir as portas para a comunidade.Além de espetáculos a preços populares ou gratuitos, há ocompromisso de realizar oficinas culturais e abrir os teatrospara atividades artísticas da população. Para Frateschi, a Pombas Urbanas foi a única companhiaque não atingiu a meta. "Diante dos resultados de outrosteatros, avaliamos que seria mais interessante que o contratonão fosse renovado e déssemos outro rumo ao Martins Pena",explica o diretor. Ele justifica que havia dificuldade de integração entreo grupo e os demais setores do equipamento. Além do teatro,funcionam no prédio uma biblioteca pública, uma bibliotecajuvenil e uma casa da cultura. "Nossa intenção é criar umcentro cultural", afirma. O diretor da Pombas, Lino Rojas, discorda. "Fui chamado15 dias antes da decisão para fazer a avaliação do trabalho enão fui informado de nada", diz. "Havia um compromisso verbalde que o contrato seria renovado." Bacalhau - Segundo Frateschi, haverá continuidade dotrabalho iniciado nas oficinas de atores com os jovens. Mesmoassim, eles estão apreensivos e devem fazer um abaixo-assinadopedindo a volta da Pombas Urbanas. A despedida do grupo prometeser emocionante. O texto foi escrito pelos próprios atores e écarregado de histórias que fazem parte da rotina deles. Há umacrítica à massificação e à dificuldade de acesso à educação e àcultura para os adolescentes da periferia. "É muito tristepensar que não vamos continuar o trabalho com eles", afirma aestudante Kate Ellen, de 16 anos. Quarta-feira eles vão levar os pais e amigos paramostrar o que fizeram nos seis meses de duração da oficina."Ninguém é o mesmo desde que entrou aqui. Mudou tudo,principalmente nossa percepção do mundo", diz a estudante JoyceKelly, de 17 anos. Divergências - O Departamento de Teatro está elaborandoum novo projeto para o Teatro Alfredo Mesquita. O Grupo dos Setee a Cia. Ocamorana, que se uniram para compor o projeto CidadeDentro, Cidade Fora, decidiram cumprir apenas os seis meses decontrato. "O projeto foi concebido para um semestre e nãohaverá danos para os alunos nem para o público", salienta odiretor do Grupo dos Sete, Zebba Dal Farra. Segundo Márcio Boaro, diretor da Ocamorana, não houveproblemas com o projeto da secretaria. "É uma iniciativamaravilhosa, mas havia algumas divergências entre os nossosgrupos. Só isso."

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