Prédio restaurado abriga exposição

Duas instituições que nasceram juntas. Mas que precisaram de quase 100 anos para voltar a se encontrar. Elemento essencial da Praça das Artes, o Conservatório Dramático e Musical foi restaurado e passa, a partir de hoje, a abrigar uma exposição que revê a sua antiga e íntima ligação com o Teatro Municipal.

O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h12

Com curadoria de Marcia Camargos e Dan Fialdini, a mostra recorreu aos acervos do Museu do Teatro e da sua Central de Produção, além da coleção do próprio Conservatório. Selecionou fotografias, documentos, instrumentos musicais, cenários e figurinos. "Como a coleção do Conservatório ainda não foi catalogada, e também como muitas peças se perderam, o Teatro aparece de forma mais consistente. Mas a intenção da mostra é justamente retomar o laço que existe entre os dois", diz Marcia, pesquisadora e autora do livro Teatro Municipal - 100 Anos.

Na passagem do século 19 para o 20, auge da cultura cafeeira, São Paulo queria exibir o seu poderio econômico. Apagar o passado pobre, de terra de tropeiros e casas de pau a pique para se tornar uma cidade cosmopolita. Foi nesse contexto que se encomendou a Ramos de Azevedo um teatro lírico, nos moldes da Ópera de Paris. Concomitantemente, a elite também recolheu fundos para criar o Conservatório, centro que iria prover de ensino acadêmico os nossos futuros músicos. Por lá passaram, seja como professores ou alunos, nomes ilustres, como Mario de Andrade, Camargo Guarnieri e Luigi Chiafarelli. Em sua sala de câmara, que foi completamente recuperada pela atual reforma e voltará a funcionar como espaço de concertos, também se apresentaram grandes talentos daquela época: Alberto Nepomuceno, Henrique Oswald, Heitor Villa-Lobos.

A exposição retoma ainda os principais marcos do centenário do Municipal, personagens nacionais e estrangeiros, além de eventos como a Semana de 22 e a criação do Balé do 4.º Centenário. "Mas tudo isso é mostrado de uma forma solta, com abertura para livres interpretações e sem uma pretensão didática", pontua a curadora. / M.E.M.

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