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Prédio do Sesc Pompeia agora é patrimônio cultural do Brasil

O tombamento foi aprovado em reunião ocorrida nesta quinta, 5, na sede Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 16h59

O conjunto arquitetônico do Sesc Pompeia, na zona oeste de São Paulo, tornou-se patrimônio cultural do Brasil. O tombamento foi aprovado em reunião ocorrida na tarde desta quinta, 5, na sede Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Com isso, a capital paulista passa a ter 23 bens protegidos pelo Iphan (confira lista abaixo). O Sesc Pompeia é a segunda obra da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992) a figurar no rol do patrimônio nacional - antes, o conjunto arquitetônico do Museu de Arte de São Paulo, o Masp, já estava protegido. De acordo com o arquiteto Renato Anelli, diretor do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi e professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP de São Carlos, a próxima obra de Lina que deve ser tombada é a Casa de Vidro, residência da família Bardi e hoje sede do instituto que leva o nome do casal.

Na justificativa do Iphan, o Sesc Pompeia merece ser integrado à lista de bens tombados por "ser considerado um marco da arquitetura brasileira e por seus valores técnicos e estéticos, em especial pelas intervenções em sua estrutura, desenvolvidas por Lina Bo Bardi". Em nota, a instituição também afirma que o "complexo da Pompeia se tornou uma referência arquitetônica nacional e internacional e um dos mais importantes centros de convivência e de cultura da cidade de São Paulo".

Anelli confirma. "Atualmente, trata-se da obra de Lina mais reconhecida internacionalmente, ao lado do Masp", conta ele. "O Sesc Pompeia marca um período de redemocratização, em que o acolhimento público estava sendo muito valorizado."

História. A arquiteta foi chamada para projetar um centro de lazer a partir de um prédio antes ocupado pelos galpões da antiga fábrica de tambores Pompeia. Como o espaço já vinha sendo utilizado pela comunidade, isto acabou norteando o processo de intervenção. "Lina optou por não demolir o pré-existente, mas qualificá-lo", analisa Anelli. "Com sua obra, há uma mudança de significado do espaço, que de trabalho passa a ser de lazer."

A obra foi dividida em duas etapas: a primeira foi o centro de lazer nos antigos galpões, iniciada em 1977 e concluída em 1986; a segunda foram os blocos esportivos, inaugurados no mesmo ano.

As antigas estruturas industriais foram mantidas. Lina inseriu novos volumes arquitetônicos de forma harmônica com o entorno, preservando a memória operária e criando um espaço aberto à população. "É interessante como ela conseguiu suavizar os elementos", comenta o arquiteto.

A própria Lina comentou sobre o Sesc Pompeia, depois de concluída a obra. "Assim numa cidade entulhada e ofendida, pode, de repente, surgir uma lasca de luz, um sopro de vento. E aí está, hoje, a Fábrica da Pompeia, com seus milhares de frequentadores. As filas da choperia, o 'Solarium-Índio' do deck, o Bloco Esportivo, a alegria da fábrica destelhada que continua", afirmou ela.

O arquiteto Marcelo Ferraz, que foi colaborador de Lina, esteve presente à reunião do tomamento. "É muito importante o olhar do Iphan para o patrimônio brasileiro, olhando também para os usos do espaço. Este (o Sesc Pompeia) é um patrimônio onde o uso faz toda a diferença", disse. "O patrimônio tem de andar junto com a vida. Por isso, a discussão do tomamento, respeitando os usos, é um indício de que a história desse lugar será respeitada."

Desde 2009, o Sesc Pompeia era tombado pelo Conpresp, o órgão municipal de proteção ao patrimônio.

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