Prédio da Prodam une MAM e MAC no Ibirapuera

A intenção de fazer valer a vocação do Parque do Ibirapuera como um espaço exclusivo de cultura e lazer é antiga e, entre idas e vindas, chegou a ser prevista em lei, assinada pela ex-prefeita Luiza Erundina, em 1992. Mas um passo importante para ir do verbo à pratica - a desocupação do prédio da Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam) - só foi dado ontem. O secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, recebeu simbolicamente o Pavilhão Engenheiro Armando de Arruda Pereira (Palácio dos Estados) do antigo "inquilino", o diretor-presidente da Prodam, Luiz Arnaldo Pereira da Cunha Júnior. Projetado por Oscar Niemeyer e erguido em 1954, o prédio vai receber os acervos do Museu de Arte Moderna (MAM) e Museu de Arte Contemporânea (MAC), numa exposição permanente que poderá mostrar ao público obras que estão hoje na reserva técnica. "Havia uma certeza de que seria impossível tirar a Prodam daqui. Quando a mudança se concretizou, cada um dos museus tentou se candidatar ao prédio", contou Calil. Na disputa, outra idéia antiga voltou à tona, a de juntar os acervos do MAM e do MAC, ambos com origem na coleção do industrial e mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho, o Cicillo. Após uma consulta informal a artistas plásticos e curadores e da "quase unanimidade" obtida pela idéia, Calil passou ao convencimento das direções dos dois museus. Reina a paz nas artes plásticasDepois de uma ou outra farpa, a paz parece reinar nas artes plásticas paulistanas. "Foi uma solução de mestre", classificou a presidente do MAM, Milú Vilela. "Agora, temos uma questão nova, que eu não sei como será resolvida: a da convivência de dois acervos, duas administrações e duas equipes de funcionários num mesmo prédio", observou o secretário. Uma das dificuldades para a transferência da Prodam, que estava no parque desde 1973 e ocupa agora imóvel na Avenida Francisco Matarazzo, era o alto custo da operação de mudança. Algo que foi orçado em até R$ 80 milhões por gestões anteriores, mas que a atual diz ter feito por R$ 6 milhões. Segundo os planos da secretaria, os museus continuarão ocupando seus prédios de origem - o MAM, no próprio Parque do Ibirapuera, e o MAC, que tem a sua sede na USP e uma área no Pavilhão Cicillo Matarazzo, também no parque. "A cidade ganha um novo espaço expositivo, que tira do escuro obras que não estavam sendo vistas", disse Calil. "O MAC é bastante prejudicado porque a USP não abre no fim de semana, o que causa um problema para a cidade." Antes de tudo, claro, vem uma reforma, que não sairá por menos de R$ 30 milhões, segundo o secretário. O dinheiro deve vir do orçamento da Prefeitura e de parcerias com a iniciativa privada. Será criada uma comissão, entre funcionários da secretaria e dos dois museus, para definir o cronograma dos trabalhos e escolhido um curador, com a tarefa de dar unidade aos dois acervos.

Agencia Estado,

30 de março de 2006 | 11h40

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