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Preconceito contra tatuagem tem diminuído, dizem estúdios

Profissionais falam da aceitação da arte da tatuagem no dia em que as redes sociais celebram o 'Tattoo Day'

Marcio Claesen, Camila Matos e Renata Aguiar , estadão.com.br

02 de fevereiro de 2012 | 19h01

Celebrada nas redes sociais nesta quinta-feira, 02, por meio da hashtag #tattooday, a tatuagem firma-se, cada vez mais, como expressão cultural e vai perdendo a marginalização a que foi submetida por anos. De atores globais à próxima presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, pessoas exibem suas tatuagens sem serem discriminadas. Mas o quanto isso realmente mudou? O Estadão.com.br conversou com alguns profissionais da técnica da tatuagem e empresas para saber quem está se tatuando e se há mercado de trabalho para eles. 

Para Antonio Carlos Ferrari, o Carlinhos Tattoo do estúdio Scorpions Tattoo, em São Paulo, a área médica foi a que mais "evoluiu". "Dez anos atrás, quase ninguém dessa área procurava o estúdio." O tatuador, que trabalha há 31 anos no ramo, diz que médicos tatuavam-se "até dentro da cueca" para que a tatuagem não fosse vista sequer por outros médicos nos vestiários. 

Profissionais da área jurídica também não marcavam tanto a pele como fazem hoje, mas o preconceito permanece forte, segundo Carlinhos. Ele conta que recentemente uma advogada diz que ficou em dúvida se foi demitida por conta de uma tatuagem no pulso.

Beto Ohara, do Ohara Tattoo Studio, no Rio de Janeiro, também acredita que não há mais a mesma marginalização de tempos atrás, mas entre os advogados, o estigma está um pouco longe de ser quebrado. "Eles têm uma preocupação com concursos públicos, por exemplo. Na admissão, já soube de desembargadores que implicaram até com brincos." 

Entretanto, Beto relata que entre os mais velhos, há uma demanda bastante grande. "Há muitos filhos trazendo os pais, de promotor de justiça a médicos que antes tinham medo de fazer e agora estão fazendo."

Bruno Laurence, de 23 anos, supervisor de sedex nos Correios, em São Paulo, que ostenta três tatuagens nos braços e peito, diz que tentou evitar o julgamento alheio. "Fiz minhas tatuagens na região do antebraço justamente para evitar esse tipo de preconceito e problemas futuros. Cheguei a usar piercing no nariz e tirei devido a comentários de clientes que julgavam o ato 'moderno demais'. Mas com a gerência nunca tive problemas."

E o que as empresas pensam a respeito dessa arte que ganha cada vez mais adeptos? Majo Martinez Campos, diretora executiva de Recursos Humanos da Atento, diz que a empresa valoriza a diversidade e ressalta que a mesma faz parte do Pacto Global da Organização das Nações Unidas quanto à adoção de práticas inclusivas e igualitárias.

"Se vocês forem em qualquer operação da Atento, vocês poderão notar a diversidade em nosso quadro de funcionários - jovens, melhor idade, indígenas, funcionários com tatuagem, piercing, entre outros."

Tatiana Penteado, gerente de projetos do Grupo Foco, empresa especializada em Recursos Humanos, diz que "naquelas (empresas) com uma política mais conservadora e ambiente formal, tatuagens e piercings não são bem-vindos.  Para áreas ligadas à criação, publicidade, moda, não vejo restrição."

Para Tatiana, vale o bom senso. "Uma pessoa com muitas tatuagens, piercings mais chamativos e alargadores, por exemplo, poderá sim ter algum tipo de restrição no processo seletivo, caso destoem do esperado para a posição. Acredito que, qualquer que seja a situação, o profissional deve procurar se adequar e ter bom senso, da mesma forma como irá aplicá-lo à escolha de suas roupas, maquiagem e postura."

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