Prazo final para eleição da ABL

O cientista político Hélio Jaguaribe e odiplomata Mário Gibson Barbosa vão passar a tarde desta quinta-feira em casa, esperando o resultado da eleição daAcademia Brasileira de Letras para a vaga de Roberto Campos. Oescritor Paulo Coelho pretende sentar-se diante do mar deCopacabana, bairro em que mora. Os três são os mais cotados àimortalidade, entre os nove candidatos à ABL. Os acadêmicosestão tão divididos que há risco de ninguém se eleger e todo oprocesso ser reiniciado. Para se tornar imortal, o candidato tem de obter amaioria total dos votos. Como há 37 eleitores (Zélia Gattai eRaimundo Faoro se elegeram, mas não tomaram posse), o quórum éde 19 votos. Caso esse número não seja atingido na primeiravotação, haverá mais três escrutínios, do qual são retirados oscandidatos que obtiverem menos de dez votos. Se nem assim sechegar à maioria absoluta, a eleição será cancelada e asinscrições, novamente abertas. O problema é que, em qualquer avaliação, os trêsalcançam os dez votos para concorrerem numa segunda votação, masnenhum chega aos 19 necessários à vitória. "É imprevisível",disse hoje o escritor Paulo Coelho, que decidiu falar depois queviu que os outros candidatos se manifestaram a respeito daeleição. "Mas acho que tenho chance de ir até a terceiravotação porque tive a promessa de dez votos." Para Mário Gibson Barbosa, seus 50 anos de carreiradiplomática ajudam pouco nesta eleição. "Se tivesse sidopolítico, talvez entendesse melhor", filosofa ele. "Em embatese votações da ONU, onde representei o Brasil durante cinco anos,é mais fácil prever os resultados porque cada um defende asposições estabelecidas por seus governos. Aqui, os votos sebaseiam em critérios absolutamente pessoais." Hélio Jaguaribe também está na expectativa, até porqueinovou na "campanha" pela eleição, só visitou os acadêmicosque conhece pessoalmente. "Se fosse uma eleição para cargopolítico, caberia fazer comício. Se fosse para um clube social,as visitas seriam adequadas", ensina ele. "Neste caso, nem umacoisa nem outra." Entre os outros candidatos, há nomes importantes como oembaixador Pio Correia e o sertanista Orlando Villas Boas, quenão conquistaram os acadêmicos. Villas Boas, autor de 14 livroscontando sua experiência profissional, candidatou-se, masadoeceu logo depois e não fez campanha. "Mais que evidenciarsua obra, papai queria chamar atenção para os personagens sobrequem escreveu, os índios e os sertanejos", justificou OrlandoVillas Boas Filho. Se ninguém se eleger, não será novidade. Há dez anos, opoeta e editor Álvaro Pacheco também ganhou e não levou. Teve 19votos, mas precisava ter chegado a 20.

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