Praia para baixar

A dupla Beach House, inspirada em Brian Wilson, tem ainda muito a colher de seu 3º disco, Teen Dream

Lucio Ribeiro, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2011 | 00h00

Música para ouvir de olhos fechados, a banda americana Beach House, na verdade uma dupla de Baltimore formada pelo guitarrista Alex Scally e a organista e vocal Victoria Legrand, fez o indie sonhar em 2010.

Sonhar mesmo. Com o lançamento do badalado disco Teen Dream, em janeiro, e o estilo sonoro amparado no etéreo dream pop inglês dos anos 80 (lembra-se do Cocteau Twins?), o Beach House esteve presente em várias boas listas de melhores do ano passado, seja de disco, música, banda.

Teen Dream, o álbum, o terceiro do Dream House, elevou Victoria (ela é francesa) e Alex ao andar de cima da música pop, os tirando da limitada adoração underground. Não pararam de excursionar em 2010 nos EUA e Europa, incluindo aparições em megafestivais como o Coachella e o Austin City Limits, e apareceram em performance em alguns dos badalados programas de entrevistas da TV americana, como o de Jimmy Fallon e o do "superstar" Conan O"Brien.

Com dois excelentes e viajantes porém tímidos primeiros álbuns, Beach House, de 2006, e Devotion, de 2008, a dupla já chamava atenção elogiosa de gente como Julian Casablancas e o veterano e distinto roqueiro Brian Wilson, dos Beach Boys, que Alex e Victoria clamam influência direta, menos ensolarada no entanto. Mas foi com este último disco, Teen Dream, lançado no inverno americano do ano passado, que o Beach House fez tudo certinho.

O álbum trouxe pela primeira vez a estampa da Sub Pop, a lendária gravadora de Seattle que tem no currículo a revolução grunge. O selo que revelou o Nirvana, como primeira medida, botou o Beach House dentro de uma igreja-estúdio em Nova York para gravar o seu terceiro álbum, para a banda ficar mais à vontade em buscar seus experimentos sonoros sofisticados com uma pitada de elementos pop agridoces. Nada mais apropriado: a igreja transformada em estúdio para bandas indies tem o nome de Dreamland. Para produzir o disco, chamaram o figura Chris Coady, profissional que já havia assinado álbuns para bandas de sonoridades especiais como a TV on the Radio.

E o Beach House, com essa atmosfera, essa assessoria e seu indie sublime, decolou para lugares inimagináveis, dado o estilo etéreo delicado da dupla.

Para começar mostrando o disco Teen Dream ao vivo, o Beach House foi bem colocado para abrir alguns shows da banda Vampire Weekend. Bingo!

Pouco depois de lançado, o álbum chegou no top 50 da revista Billboard, em meio a todos aqueles R&B, pop comercial, rock "adulto", estrelas country e hip hop que assolam o principal medidor de vendas da música nos EUA. Com o filtro de "álbum de rock alternativo", o disco do Beach House chegou ao sexto lugar.

Esperava-se mesmo que Teen Dream fosse o passo além do Beach House. A data oficial de lançamento do terceiro CD do grupo era 25 de janeiro de 2010, mas desde o começo de novembro ainda em 2009 o álbum vazou inteiro na internet, inundando os blogs americanos de resenhas elogiosas e entusiasmadas antes de o ano virar.

Se o sucesso é de 2010 e o começo juntos é de 2004, desde a infância nos anos 90 a música está na vida de Alex Scally e Victoria Legrand. Ele em escola de música erudita na Filadélfia, ela brincando garotinha com as múltiplas camadas da música francesa, do pop brega ao clássico. O encontro futuro em Baltimore, reza a lenda e as entrevistas dada pela dupla, se deu graças à afinidade expressa por Neil Young e Big Star. Da colisão da formação com o gosto, foram ao dream pop.

O Beach House ainda tem muito o que colher, em 2011, do que plantou com o terceiro álbum, Teen Dream. A banda larga o ano novo fazendo vasta excursão na Austrália e Nova Zelândia agora em janeiro, destino preferido de começo de ano para bandas inglesas e americanas prestes a se consagrar. Principalmente porque a região tem grandes festivais na época e, lá, foge-se do inverno.

Depois, em fevereiro, o Beach encara shows "sérios" nos EUA, agora como banda indie grande. A miniexcursão acontece em Los Angeles, São Francisco (no Filmore), Washington, Filadélfia e Nova York (Webster Hall, com ingressos esgotados). Em julho, o Beach House tem compromisso marcado em lugar grande em Londres, no Alexandra Palace, quando são convidados de abertura do Portishead. Certamente em 2011 o sonho do Beach House vai se misturar firme à realidade.

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