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Povoado de Claude Monet recebe mostra do impressionismo americano

'O impressionismo e os Americanos' está no Museu dos Impressionismos de Giverny

Jorge Martínez, Giverny, França - EFE

28 de março de 2014 | 16h10

O vínculo que se estabeleceu em fins do século 19 entre os pintores impressionistas europeus e anglo-saxões é o fio condutor de uma exposição inaugurada no dia 28 de março no Museu dos Impressionismos de Giverny, o povoado francês onde Claude Monet fixou residência.

Intitulada O impressionismo e os Americanos, a mostra, abriga uma trintena de quadros que são expostos pela primeira vez na França e da qual participa o Museu Thyssen de Madri, revela os caminhos que esta corrente artística percorreu na América do Norte poucos anos depois de Claude Monet – ainda sem ter consciência disso – a ter gerado em Paris com sua obra mais célebre – Impressão, Sol nascente. “O objetivo é mostrar ao público como os artistas americanos que chegaram à cena parisienses, por volta de 1890, importaram para seus países, uma década depois, as técnicas próprias do impressionismo”, explica o diretor do Museu dos Impressionismos, Diego Candil.

Formada por um total de 80 telas, a exposição, que ficará aberta ao público até 29 de junho, acolhe também algumas das primeiras obras com as quais, em cidades como Boston, Filadélfia e Nova York, começaram a ser aplicadas às ideias impressionistas para representar temas puramente americanos.

Dois dos principais responsáveis por essa corrente alçar voo fora da França foram os americanos Mary Cassatt e John Singer Sargent, a cujos trabalhos o museu dedica grande parte da mostra. Cassatt (1884-1926), amiga dos pintores Edgar Degas e Camille Pisarro, expôs com os impressionistas em diversas ocasiões, inclusive na última mostra que o grupo apresentou em 1886, na qual a pintora expôs duas de suas telas mais famosas: Meninas na Janela e Garotas na Praia.

“Além de fazer parte da escola impressionista, Cassatt desenvolveu um papel fundamental como promotora entre os colecionadores americanos”, discorreu a curadora da exposição, Katherine Bourguignon. A artista, em sua opinião, “procurava ajudar seus amigos pintores, mas também enriquecer os museus do outro lado do Atlântico (...) Ela queria que os americanos conhecessem melhor a arte que estava sendo feita na Europa naquele momento”.

Sargent (1856-1925), que passou longas temporadas na França e na Grã-Bretanha, é o segundo mais exposto na mostra. “Sua pintura foi muito influenciada pelos impressionistas”, e, fruto de sua amizade com Monet, seus trabalhos foram adquirindo um estilo cada vez mais parecido com o do mestre francês, “com composições mais espontâneas, pintada a plena luz do dia”, ressalta Bourguignon.

As telas de Cassatt e Sargent se situaram na vanguarda dos novos estilos que chegavam aos Estados Unidos da Europa, na época em que os artistas mais jovens impregnavam suas obras de “cores vivas, traços fragmentados e temas mais modernos”, salienta a curadora. O museu também abriga telas de outros correligionários que não só estimularam o avanço do impressionismo fora da França, como o dotaram de novas técnicas e o ajudaram a evoluir.

Este é o caso de William Meritt Chase, Edmund Tarbell, John Henry, Frank Beson, Childe Hassam ou Theodore Robinson. “Reunir seus quadros foi um trabalho muito difícil, ao qual dedicamos mais de quatro anos porque a escolha de cada peça foi muito estudada”, esclarece o diretor do Museu dos Impressionismos de Giverny.

Coorganizador da mostra, o Museu Thyssen de Madri, que contribuiu com seis telas, acolherá a exposição a partir de novembro deste ano. A chefe de conservação de pinturas modernas da pinacoteca madrilenha, Paloma Alarcó, destacou a EFE a “peregrinação” de muitos artistas anglo-saxões a Giverny, lugar de residência de Monet, para “venerar” sua figura e “impregnar-se” de sua arte.

Os pintores que acorriam a esta pequena localidade normanda, sustenta Alarcó, o faziam para “deixar-se contagiar pela paleta, viva, livre e colorista” do mestre francês, o que resultou em “toda uma nova linguagem impressionista entre os artistas americanos de fins do século 19 e princípios do 20”.

O museu, erguido a 300 metros apenas da casa onde Monet viveu por mais de três décadas e à qual chegou atraído pela paisagem da região, celebra com esse projeto seus cinco anos de existência dedicados a descobrir a influência do impressionismo no mundo. TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK 

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