Possi delineia a criação e amores de Martha Graham

Antes da morte, a grande bailarina atravessará o palco pela última vez. No trajeto, irá rememorar passagens de sua infância, lembrar-se do momento em que descobriu a dança, reencontrar o pai e os homens que amou. Esse é um breve resumo de Martha Graham Memórias, espetáculo de teatro-dança que as companhias Sociedade Masculina e Studio3 apresentam hoje e amanhã no teatro Alfa.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

Sob a direção de José Possi Neto, 16 bailarinos levam ao palco reminiscências da vida e da carreira de Martha Graham, a festejada coreógrafa norte-americana, responsável por uma revolução na dança contemporânea. "Quem conhece Graham vai reconhecer muitos sinais dela, mas não se trata de uma biografia, de uma historinha com começo, meio e fim a ser contada", pontua Possi.

A criação coreográfica fica a cargo de Anselmo Zolla. Para conceber os movimentos, o diretor artístico da cia. Sociedade Masculina conta que não tentou reproduzir trechos ou passagens das coreografias da artista. "Nunca pensei em trazer uma cópia do seu trabalho", ressalva o coreógrafo. "O que fiz foi usar a minha própria linguagem para reler algumas de suas obras que mais me tocavam, como Lamentation."

Talvez a mais conhecida e celebrada das criações de Graham, Lamentation é evocada em um dos 15 movimentos que compõem o espetáculo. A trilha sonora, com releituras de clássicos, é assinada por Felipe Venâncio.

Além disso, a montagem, que se inspirou no livro de memórias da própria bailarina, percorre momentos-chave de sua trajetória, como o relacionamento com o pianista Louis Horst e a paixão por Erick Hawkins. "Não pensamos em trazer apenas o seu trabalho com a dança, mas também a sua vida, os seus sofrimentos, os seus amores", lembra Zolla.

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